domingo, 17 de maio de 2015

Hoje, o namorado sou eu

   Foi com o texto abaixo apresentado que participei nesta iniciativa do Namorado. Reescrevi o que ele me enviou.
   Acertei em quatro dos seis bloggers. Suponho que não é mau, considerando que não sou leitora assídua dos respectivos blogues. Mas foi graças a uma outra brincadeira do Namorado que eu passei a seguir um.

***

   Quisesse parar o Tempo. Como num passe de magia, os dedos esvoaçando no ar, um meneio de leque. Apanhava-o com os dedos e guardava-o no bolso das jardineiras, junto do bilhete de cinema, da primeira vez que vi o ET, do berlinde da cor do arco-íris, da pastilha ainda por encetar, da carica com o número “1” desenhado a marcador Molin.
   Quisesse parar o Tempo. Congelá-lo no espelho do quarto grande, sentada em frente à cómoda. A Mãe a pentear-me com força, uma careta a deformar-me a cara. Por entre as pálpebras semicerradas, a espreitar no reflexo o seu pulso gordo virando o elástico uma, duas vezes.
   Quisesse parar o Tempo. Nesta velha fotografia a preto e branco, ao lado de colegas da escola primária que, meio século depois, continuam com oito anos. E eu, numa das raras vezes que usei saia, a mostrar uns joelhos ossudos enfarruscados, nódoas negras de quedas e esfoladelas das subidas às árvores.
   Olho pela vidraça da janela da sala o jardim banhado pelo luar. O vento do fim do outono solta mais umas folhas do velho castanheiro. Ergo a cabeça e vejo-me lá em cima, sentada num grosso ramo, puxando os ouriços com cuidado. Dias frios, noites quentes na cama de ferro pintada de branco, os lençóis de flanela, sonos sem sobressalto.
   Hoje, pelo contrário, as memórias enchem as noites em branco e, por estas horas silenciosas, desliza a minha alma. "Até quando? E porquê?"



Original:
   "Reflexivamente, observamos alguns cabelos brancos, enleados noutros pretos, que ganham jeitos furtivos. Vemos rugas expressivas de velhice. Verificamos uns olhos castanhos, a fundirem-se com um verde qualquer, isentos de emoções.
   Reflexivamente, percebemos tudo. Uma alma torturada pela ansiedade, provocante e inquisidora. Materializamos o vazio e uma perpétua indiferença, após uma noite de sonhos inquietos.
   Reflexivamente, surgem vozes, coloridas por perguntas sem resposta. Questões, que cozem as verdadeiras curiosidades. Até quando? E porquê?"

11 comentários:

  1. Margarida eu troquei 2 bloggers mas acertei no teu :-p que venham mais iniciativas dessas nem que seja apenas uma forma de troca de ideias :D

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    1. não era difícil acertar no meu :)
      sim, venham elas.

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  2. Muito bom texto. Aliás, magnífico como sempre. Obrigado pelo carinho e pela participação Margarida :) bjs

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    1. é bom, mas não magnífico :) obrigada eu.
      bjs.

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  3. E eu adivinhei que tinhas sido tu a escrever este! Mas não adivinhei mais nenhum... LOL

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    1. pois, o estilo margarida :p
      o coelho ganhou. está fora mas atento :)

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  4. Este desafio, infelizmente, passou-me meio despercebido. Passo menos tempo a estudar, ou mesmo em casa, o que me leva a estas distracções. Li os textos, posteriormente, e os meus parabéns pela participação. :)

    um beijinho.

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    1. no início, eu não percebi. tive de perguntar ao exm.º namorado :P
      obrigada. foi uma tentativa.
      bjs.

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  5. um belo texto. como sempre, Margarida :)

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  6. Sim este teu texto é inconfundivelmente teu...

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