quarta-feira, 3 de junho de 2015

Escolhas futuras

   "Ao que parece o país em que vivo, este pequeno rectângulo à beira mar plantado, está de pernas para o ar. Os escândalos fazem fila indiana, como que a quererem ser notícia de capa de jornal ou abertura de noticiário televisivo em horário nobre. Verdadeiro parece ser o facto de o tema base para tudo estar já tão gasto. Infelizmente não podemos viver sem aquela bicha solitária que no final das contas de solitária nada parece ser.
   A conclusão final é que é a mais desconcertante: continuemos ao som dos passos do coelho ou com aquele antónio que dê à costa, a verdade é que será apenas mais do mesmo. E não existe porta mágica que nos salve, pois o povo já não presta cavaco a soluções milagrosas.
   Não existem ruborizados avôs suficientes nem sequer blocos experientes que construam um país melhor. Os cérebros ou estão enjaulados ou fogem como o Diabo à cruz, dando realmente a entender que afinal a massa cinzenta que devia encher aquelas cavidades cranianas não passa de massa da verde, que trama o pobre mas que arreganha os dentes aos afortunados.
   Valha-nos o calor que se entremeia com o vento e laivos de frio. Porque o calor aquece o corpo, enche as esplanadas de ávidos sedentos de água de cevada gaseificada e de chupadores de lesmas com casa, porém potencia o efeito contrário que é o de provocar o esquecimento, cobrindo com um véu as decisões futuras e os escândalos mais dispendiosos, já que os outros são alimentados pelo mesmo calor e escarrapachados nas revistas em que qualquer tuga que se preze, lá investe os parcos euros que ainda sobram.
   Passe a onda de calor e volte-se à contestação, pois o futuro a Deus pertence e o que é de Deus nem sempre está ao alcance de qualquer um."

9 comentários:

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    1. Não é quando quero, é quando a inspiração aparece. Beijos e abraços.

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  2. Este país está um circo romano a céu aberto

    Beijinhos

    Adorei este texto :D

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  3. Muito bem escrito, original no jogo das palavras, evocando um grupo de políticos e partidos. Ao menos eles inspiram para se escrever coisas bem bonitas.

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    1. sim, é verdade.
      é um texto excelente, como já disse ao Ribatejano. :-)

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