terça-feira, 30 de junho de 2015

Flannery O'Connor - Antologia Indispensável


   Clara Pinto Correia traduziu e escreveu a introdução, na qual conta como descobriu esta autora quando estava nos EUA a tirar o doutoramento. E ficou pasmada e adorou. Adorou as histórias estranhas, esquisitas, perturbadoras, que descrevem a complexidade das relações humanas.
   Nesta selecção de seis contos, Flannery O'Connor mostra-nos as pessoas que viviam no Sul dos Estados Unidos da América na primeira metade do século passado, perversas, loucas, desdenhosas, racistas, inconstantes, arrogantes, sob uma aparente normalidade. Finais felizes? Só nos contos de fadas. Não há aqui poética nem doçura. A prosa de Mary Flannery O'Connor é dura, cruel, violenta.
   Os contos desta antologia são: 'Os Homens Bons não São Fáceis de Encontrar', 'A Gente Sã do Campo', 'As Costas de Parker', 'O Festival de Partridge', 'O Preto Artificial' e o 'Juízo Final'.
   Abundam, infelizmente, as gralhas nesta publicação da Dom Quixote de 1996. Parece que houve uma grande euforia em trazer as histórias à estampa, em detrimento de uma edição cuidadosa. Apesar de tudo, gostei, pelo que classifiquei com 4* no Goodreads.

6 comentários:

  1. Há (ou havia) uma grande desconformidade entre o sul dos E.U.A, rural, religioso, conservador (esclavagista, ao tempo dela...) e o norte, abolicionista, mais industrial, menos preso aos velhos costumes. Isso levou, inclusive, à Guerra da Secessão no século XIX.

    Como agora a decisão do Supremo deles... Imagino que alguns Estados do sul façam burburinho.

    beijinho.

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    1. sim, vamos ver como corre. estados radicais, racistas e homofóbicos não devem ter gostado nada.
      mas estamos no século XXI, as mentalidades mudam. demora, é certo, mas a lei a acompanhar o processo, é dar tempo ao tempo.
      bjs.

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  2. Margarida eu até gosto de contos de fadas mas sem os final feliz, eu até gosto de histórias de amor mas sem o excesso de açúcar que por vezes essa histórias têm. Parece-me interessante, gosto de histórias diferentes.

    Estou a ler "A rapariga no comboio" que deve de estar na "moda" e a personagem principal parece-me "louca", só por isso é que continuo a ler :-S

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    1. amor qb, eu que até escrevi alguns contos desse estilo. mas também dispenso o melaço e tudo isso que seja previsível e que torne a leitura chata.
      esse livro nunca me despertou interesse suficiente para ler. agora em casa estou a ler 'a vida privada de um rapaz' e no comboio leio 'o céu que nos protege'. são ambos fantásticos, um sobre um rapaz homossexual, desde a infância até à maturidade, e o outro sobre viagens no deserto do sahara.

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  3. nunca li nada dela, apesar de ter andado à volta do seu nome muitas vezes. alguma vez há-de ser :)

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    1. as histórias têm uma morbidez divertida. isto existe? gostei por terem essa visão contrária à maioria dos contos que já li.

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