quarta-feira, 17 de junho de 2015

Pássaros e gatos

   A minha vizinha do lado tem um canário. Ouço-o a cantar à medida que subo as escadas até ao nosso piso. Uma vez, tomei conta de um canário. Os donos tinham ido de férias. O chilrear provocava-me imensas dores de cabeça. Nunca mais me ofereci. Não acho piada a pássaros como animais de estimação. Contrariamente à minha mãe. Gostava de todo o tipo de bichos, bem, quase todos. Nunca tivemos hamsters nem peixes quando eu era miúda. Para além dos cães e dos gatos, a minha mãe tinha periquitos. Conseguiu trazer um periquito gigante de Angola. Chamava-se Pinóquio. Tão grande que eu pensava que era um papagaio. Não era gigante, eu é que era pequena. Um dia, abriu a gaiola e voou para o pinhal. Andámos uma tarde à procura dele, a chamar ‘Pinóquio, Pinóquio!’, de cabeça para o ar. Nunca mais o vimos. A minha mãe ficou desconsolada. Lovebirds. Já eu adulta, existia em sua casa um grande macho azul, pomposo, chamado Romeu, que viveu bastante tempo. As constantes Julietas viviam poucos meses. Ele bicava-as no pescoço, possessivo. Morreu solitário, de velhice. A minha mãe chegou a fazer criação e deu-me um casal de periquitos quando comprei a primeira casa, em 2001. Tive-os pouco tempo. Recambiei-os para casa de uma tia, numa ocasião em que manifestou interesse por eles. Já tinha a minha primeira geração de gatos, o Pitágoras, a Bia, o Farrusco e a Joana. Sorte dos pássaros que os gatos nunca olharam duas vezes para eles. Contrariamente ao Texugo, o gato selvagem da minha avó. O periquito dela não durou muito tempo. Um dia, entrei na sala onde estava a gaiola pendurada e a gaiola já não estava pendurada, mas no chão, a porta aberta e umas penas esverdeadas no chão. Foi tudo o que sobrou. Eu tinha medo do Texugo. Tinha um pêlo enorme, branco e negro e só obedecia ao meu tio. Dava-lhe carne e dormia com ele na cama. De resto, passava os dias fora de casa. Na aldeia, não há muitos anos, vi um gato muito parecido com ele, um tataraneto, provavelmente. Não me arrisquei a fazer-lhe festas. Se saísse ao tataravô, teria ficado com quatro arranhões no braço. A minha avó nunca mais teve outro gato. Mas recebia os da minha mãe nas férias, o Mikita, a Boneca e a Nina. Tivemos vários Mikitas. Na próxima, e última geração de gatos, terei um gato com este nome. Agora, bastam-me a Alice, o César, a Dalila e a Elvira.

14 comentários:

  1. em casa dos meus pais houve, quase sempre canários (até o jarbas, o gato lá de casa, ajudava o meu pai a tomar conta do pássaro enquanto ele limpava a gaiola).
    nunca me incomodou o seu cantar. se calhar ajudava a casa ser enorme, e o canário cantava lá na varanda do outro lado. mas sempre me deliciei com o seu cantar, com a sua exuberância, com os trinados, as coloraturas :)
    um dos canários, além de cantar a horas certas, cantava ainda sempre que ouvia água a correr, abríamos a torneira do tanque só para o ouvir cantar.

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    1. demasiado chilrear. incomodam-me. gosto de os ver, apenas. são lindos, confesso, mas não me interessam como animais de estimação.

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  2. Adoro pássaros, piriquitos, canários, pintassilgos, e outros que tais...
    adoro peixes, gatos, cães, chinchilas. Não tenho animais, porque não tenho tempo para estar com eles, ou paciência para lhes limpar a gaiola ou aquário :(

    Beijinhos

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    1. a gaiola, pois... :)
      aquário nunca limpei. a tartaruga tem uma caixa de plástico grande, que encho de água. não são as condições melhores, mas ela lá se diverte. sai da água e fica a apanhar sol. e depois refugia-se a um canto da cozinha.
      bjs.

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  3. Em criança os meus pais tiveram um casal de piriquitos mas nunca tiveram filhos, e o barulho nunca se chegou a ouvir, o que e mau sinal pois não me recordo quanto tempo tivemos esse casal lá em casa.

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  4. Não posso ter aves ou mamíferos devido à asma. Tenho a tartaruga, como sabes, com quase vinte anos connosco, que está como a tua: num recipiente de plástico enorme, com água. Come que se desunha, adora sol, lá está ela nas suas sete quintas.

    Pássaros... Nunca por nunca tenham rolas. Fazem um barulho infernal. O tipo que está com a mãe tem umas três e são de fugir.

    um beijinho.

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    1. a Batá está um pouco murcha. não come tanto e mudei a ração várias vezes. deve estar a chocar, que ainda não pôs ovos nem mudou a carapaça.
      nem sei bem a diferença entre pombos e rolas, sei que há pombos que fazem o ninho na chaminé e entopem tudo. é uma porcaria. há quase 10 anos tive uma inundação na cozinha graças a eles.
      bjs.

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  5. Respostas
    1. terei uns 60 anos na última geração, a próxima. um gato vive em média 16. faz as contas. depois, se ainda estiver por cá, serei eu e a Batá.

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    2. Aposto que dos 76 aos 92 ainda terás mais uma geração de gatos! Apostas? :D

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    3. acho que não. :-D não sei.

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  6. E para se ter animais é preciso mesmo gostar muito, ser altruísta e ter muita dedicação. Admiro-te por isso.

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