segunda-feira, 1 de junho de 2015

Reviver o Passado em Brideshead

   O sub-título deste livro é 'As memórias sagradas e profanas do Capitão Charles Ryder' e foi publicado em 1945 por Evelyn Waugh.
   'Reviver o Passado em Brideshead' conta a história da amizade entre Charles e o peculiar Sebastian, em Oxford, nos inícios dos anos 1920, sendo Charles agnóstico e Sebastin oriundo de uma família católica. Influenciado pela sua mãe, profundamente católica, aos poucos Sebastian vai perdendo o seu comportamento infantil e afunda a sua tristeza num constante estado ébrio, enquanto Charles encontra a sua vocação como pintor, desistindo de Oxford e indo estudar para Paris.
   O tempo é de mudanças; dos exuberantes anos pós-Primeira Guerra Mundial, com bailes de debutantes, festas, alegria, sucedem-se greves e movimentos sociais. Os anos passam. Charles é um reconhecido artista, casado, e a sua antiga amizade com a família é retomada quando encontra Julia, a irmã de Sebastian, que era tão parecida com ele, numa viagem de barco de regresso a Inglaterra. Brideshead encanta, novamente, Charles, mas, tal como acontecera anteriormente entre ele e Sebastian, a religião católica coloca entraves a esta nova relação.
   Sendo um excelente romance - e de 1945, logo a seguir ao fim da II Guerra Mundial -, a revisão da tradução para português deixa muito a desejar. A edição que tenho é a mais recente, com a capa do filme de 2008; a Relógio D'Água publicou-o pela primeira vez em 2002. Nesta reedição, a editora deveria ter realizado uma revisão mais profunda: deixou passar erros como 'coxa' em vez de '' (quando Sebastian parte um dedo do pé - e não da coxa), ou 'encontrar-mo-nos', para além de algumas gralhas que empobrecem o livro.
   Em 1981, a Granada Television produziu a notável mini-série 'Reviver o Passado em Brideshead', que passou em Portugal em meados daquela década. Encontrei a versão restaurada no youtube, num canal criado com este nome. As interpretações de Jeremy Irons (como Charles Ryder - tão novo que ele é aqui) e de Anthony Andrews como Sebastian Flyte são extraordinárias. A série é fiel ao livro, pelo que sugiro que leiam umas dezenas de páginas e depois vejam os episódios. Vale a pena.
   Aqui fica um vídeo do primeiro episódio (cada um tem a duração de dez minutos e passa para o seguinte automaticamente):

8 comentários:

  1. fui, como acho que (quase) toda a gente, fã da série, que vi quando foi inicialmente transmitida, e revi há poucos anos em dvd.

    e adoro a banda sonora, das minhas preferidas :)

    mas nunca li o livro

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    1. o livro é muito bom, salvo o que referi. a série é excelente, a banda sonora divinal. ainda bem que está disponível.

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  2. O livro é excelente, e lembro-me bem quando a série foi transmitida pela primeira vez na TV! Não queria perder um único episódio e ficava colado à televisão a ver, deslumbrado. Nunca tinha visto uma relação amorosa entre dois homens assim contada, tão abertamente, tão romanticamente, e eram mundos de possibilidades que se abriam...
    Depois disso, já revi a série "n" vezes e sempre com uma pontinha de emoção (basta a melodia do genérico...).
    Já o filme que apareceu recentemente me desapontou... mas a série, ah! a série não é deste mundo!

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    1. eu até confesso que acho mais piada à série do que ao livro. o olhar do Charles/Jeremy no início do primeiro episódio é pura paixão. e é uma pena que a relação deles não se tenha consumado, pois estavam apaixonados.
      o filme é fraquinho. vi-o há pouco tempo e só por causa da história e do Ben Wishaw, que é um dos meus actores preferidos.
      a série é histórica, é uma daquelas que terei de ter em casa para ver e rever...

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  3. Resposta à tua solicitação: rouba à vontade mas não faças muita publicidade, corro o risco de ser considerado um escritor razoável. rsrsrs

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    1. tu escreves muito bem. parece quase sem esforço e surgem coisas fantásticas :-)
      obrigada.

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  4. Não conhecia. Bom, o nome não me é totalmente desconhecido.

    O "encontrar-mo-nos" é realmente lamentável. Parece que o livro perde logo o interesse ao depararmo-nos com um erro desses. E descobri que as coxas têm dedos, heheheh.

    um beijinho.

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    1. o romance é um clássico. a série, para quem cresceu nos anos 1980, é inesquecível. adoro-a.
      sim, muitos excelentes livros são estragados com traduções mal feitas ou péssimas revisões.
      bjs.

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