segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma pausa com Purcell

   Tirei um dia de férias. Não estava planeado, mas às vezes faço isto. Acordei à hora do costume, seis menos dez, os gatos já estavam a brincar. Existe uma velha cadeira de rodinhas no quarto deles, onde a Dalila dorme. Quando não dorme, entretém-se a empurrá-la de um lado para o outro. Custou-me a adormecer. O pavilhão gimnodesportivo tinha o ar-condicionado no máximo, um barulho infernal. Costumo dormir com a janela um pouco aberta e tive de a fechar. Quarto abafado mais insónia mais sem posição para descansar igual a acordar cedo sem vontade de ir trabalhar. Desliguei o despertador, virei-me para o outro lado e tentei adormecer de novo. Não consegui, embora estivesse cansada. Levantei-me, quarto-de-banho, gatos, cozinha, tartaruga, tudo OK. Era cedo para enviar um SMS à chefe. Voltei para o quarto e lá consegui dormir mais um pouco. Por volta das nove, acordei, SMS, regressei aos braços de Morfeu e despertei às onze e meia com uma sunrise party do vizinho do primeiro frente. Que, atenção, ainda não desligou a música, embora esteja só um pouquinho menos alta. É costume. É novo no prédio e, tirando este aspecto, não é mau vizinho. Foi ele que agarrou no César quando fugiu de casa, há umas semanas, e me disse que tinha dois gatos, ao que eu respondi que tinha quatro. Riu-se e foi à sua vida.
   Por vezes, a música fica a tocar até à noite, nove, nove e meia. Não faz isso muitas vezes e ninguém lhe diz nada. Afinal, do primeiro para o terceiro andar vivem umas cinco famílias (o apartamento por baixo de mim está vago há mais de dez anos e eu vivo no último piso). Não sou eu que lhe vou bater à porta. Sei que exagero. Gosto de silêncio, mas já que tenho de gramar a sua música, se tivesse coragem, bateria à sua porta (com o César ao colo para quebrar o gelo) e emprestar-lhe-ia um dos meus CDs. Diria qualquer coisa como 'O César gosta de Purcell. Não baixe o volume, que se ouve bem na minha sala.'

16 comentários:

  1. acho maravilhosa essa ideia, de levar música ao vizinho: já que tenho de ouvir lá em casa, então que seja música de que EU goste!!!

    não posso fazer isso, ou não devo (a não ser, claro, em caso de doença). e de certa forma ainda bem: se de cada vez que não me apetece trocar os livros, o sofá e o gato pelo work, eu metesse um dia de férias, gastava-as todas logo nos primeiros meses :)

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    1. em último caso :-) já gastei 2. faltam 22.

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    1. sou uma cobarde, Eduardo :-P não fiz isso. felizmente, já saiu de casa.

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  3. Bem, deve estar tudo à tua espera... LOL

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  4. Pena não ter um vizinho com bom gosto ;)

    Bjs

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    1. :-) de vez em quando, gosto da música. ele também tem bom aspecto.
      bjs.

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  5. Gostei da forma como finalizas o teu post!

    Eu gosto de ouvir a música bem alta, entendo os problemas que podem resultar, o bom senso resolveria tudo, ou quase tudo.

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    1. é um prédio com vários apartamentos. quando a música se ouve a meio da calçada, o limite, ;-) , foi ultrapassado. mas somos um povo passivo e queixamo-nos e não resolvemos as coisas. eu sei.

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  6. Gostei do tom sarcástico e irónico. :)

    Viver em fracções autónomas tem o inconveniente de tudo se ouvir.

    Música excessivamente alta, mesmo durante o dia, pode não ser permitido, tudo depende da interpretação que um tribunal faça. Olha que o nosso Supremo já consagrou um direito que emana do direito à integridade física e moral: direito ao repouso, ao sono.

    Nunca ouvi música alta, nunca. Primeiro, a mãe não permitiria; segundo, eu mesmo não gosto. Há anos, aliás, que só ouço música no pc ou no telemóvel.

    um beijinho.

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    1. eu também não gosto. na aparelhagem, não fica acima do volume 8, 9. nem quando faço as minhas caminhadas coloco muito alto. depois, chego a casa com os ouvidos a zumbir e o cérebro cansado.
      ouve-se tudo no meu prédio, é antigo e o isolamento acústico é inexistente.
      o trabalho de ir a tribunal. já por várias vezes bati à porta de vizinhos que estavam em obras. no início, quando estava há poucos meses lá, bati à porta de uma velhota que estava a colocar o soalho flutuante às 7 da noite. ficou fula e respondeu que até às 10 podia fazer barulho. ora, as obras acabam cedo, não a essa hora. quando as pessoas vivem décadas num prédio, pensam que são donas do mesmo e fazem o que lhes apetece. depois, passava por mim e nem me cumprimentava e eu fazia o mesmo. mas o certo é que nunca mais fez barulho.
      bjs.

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  7. Perfeito! De luva branca, como se dizia. Porque não fazes?

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    1. eu escrevi 'se tivesse coragem'...
      passa pouco tempo em casa, se música=estar em casa, mas, quando eu entrar em férias e se ele o fizer muitas vezes de dia, terei de lhe bater à porta.

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    1. está calmo desde segunda. só escuto a raça do canário. :-D

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