quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O conto do Francisco

   Quando eu menos esperava, apareceste…

   Preparava-me para sair do bar, quando alguém se sentou no tamborete de madeira ao meu lado, no balcão. Esvaziei o copo e, discretamente, olhei-o. Com um aperto de mão, cumprimentou o barman e pediu o costume. Um cliente habitual, constatei.
   Havia algo de diáfano naquele estranho, com o cabelo claro, a camisa branca, a pele pouco bronzeada, apesar de o Verão estar quase no fim.
   Sorveu um pouco da bebida e, de seguida, retirou de uma embalagem de cartão um objecto. Maravilhado, mostrou-o ao barman. Reparei que as suas mãos pálidas como que brilhavam ao segurar, com extrema delicadeza, aquela peça.
   Então, começou a contar a história, Estava a caminhar numa pequena rua, depois de uma reunião de trabalho ali perto, e parara diante da montra de uma loja de objectos usados. De uma parede, pendiam, quase até ao chão, uns pequenos focos, como uma silenciosa cascata de luz. E, em baixo, estava aquela peça. Ficou tão fascinado pela sua beleza que decidiu comprá-la naquele momento. E agora ali estava ela. Pousada no balcão profano e adorada como uma divindade.
   Era um singelo candeeiro a petróleo com uma base de metal dourado e uma chaminé delicadamente ornamentada.
   Interrompi-o. Disse-lhe que, quando era miúdo, acendera dezenas de vezes um candeeiro a petróleo exactamente igual àquele, na casa da minha avó.
   Depois da terceira bebida, confidenciei-lhe, já sentados numa mesa longe do balcão, que ainda o tinha em casa, em lugar de honra, em cima da cómoda.

12 comentários:

  1. Divinal,

    Bingo

    O meu favorito até ao momento (sou suspeito, eu sei)

    :D

    Beijinhos grandes

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  2. :-) Gostei, como sempre. Estou à espera do conto que me vai fazer escrever "ohh Margarida, desculpa-me mas estava à espera de mais!" :-p ...mas não acredito que isso vá acontecer.

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    1. obrigada, Limite.
      espero que tal não aconteça, mesmo :p

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  3. Temo repetir-me. :) Gostei, Margarida. Sente-se dedicação e empenho nos teus contos.

    um beijinho.

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    1. obrigada, Mark.
      como respondi ao Francisco no post dele, quis, também, fazer uma homenagem à avó dele.
      bjs.

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  4. Bem bonito, uma linda homenagem!
    Parabéns! ^^

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  5. Existirão sempre pontos de toque nas almas mais desassossegadas. Parabéns uma vez mais Margarida :)

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    1. obrigada, Namorado.
      poético, este comentário.

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