quinta-feira, 30 de abril de 2015

As Maçãs Douradas

   É notável a criação das personagens e da pequena e fictícia localidade de Morgana, no Mississípi. As sete histórias contam as peripécias das personagens, ao longo de quarenta anos: 'Chuva de Ouro'; 'Recital de Junho'; 'Senhor Coelho'; 'Lago Lua'; 'Todo o Mundo Sabe'; 'Música de Espanha' e 'Os Viandantes'. O livro termina com o posfácio da tradutora (uma excelente tradução, refira-se), essencial à compreensão de cada conto. Um retrato fiel e intenso de uma comunidade do sul dos EUA, onde não faltam as questões políticas e raciais. Assim, entrecruzam-se os universos feminino e masculino, a memória colectiva, a pertença a um lugar, as raízes sulistas, a vida e a morte, numa narrativa intensa e carregada de referências mitológicas (a começar pelo título desta obra).

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"(...) Nina cismava se seria a lentidão e a quase-imobilidade dos barcos na água que os tornava tão mágicos. Afinal de contas, o barquinho delas entre os juncos naquele dia não estivera longe desta maravilha. A água e o céu, a Lua ou o Sol giravam sempre, e entre eles havia esta indecisão mágica, a de um barco. E mais do que um barco à deriva pelo mundo, era o mundo que, ao dar pelo barco, ficava à deriva, esquecido. A coisa sonhada trocava de lugar com o sonhador." - 4. Lago Lua, p. 157.

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"Entretanto, como se dispensassem o apoio das pernas, as cabeças dos dois homens continuavam a voltar-se calmamente para o largo, espraiando os olhos pela paisagem. Porém, como se escarnecesse também dessa postura, certa vez o hispânico, pondo os cotovelos para fora, uniu as mãos no topo da cabeça para segurar o chapéu. Era a pose proeminente de uma mulher, um «nu reclinado»." - 6. Música de Espanha, p. 247.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Prémio Cigno para melhor blogue LGBT Friendly

   Obrigada! Agradeço, particularmente, ao Mark, pelas simpáticas palavras. :)
   Confesso que não segui a Gala Cignos 2015; bem, em abono da verdade, se nem presto atenção ao nosso Festival da Canção e à Eurovisão... Não conheço as canções concorrentes deste ano, não obstante os inúmeros posts do Francisco ;)
   Por outro lado, tenho apenas um tablet, pelo que o acesso à internet, e mais especificamente à blogosfera, está bastante condicionado. Para comentar e para escrever um pequeno texto, demoro muito tempo e tenho receio de cometer um erro. Diacho, até classifiquei um livro em holandês com 1* no Goodreads e nem dei por isso, não fosse o João Máximo alertar-me para tal :P
   Resumindo, este prémio é vosso, por me terem escolhido, por permanecerem leitores fiéis deste pequeno espaço e peço desculpas por não comentar mais amiúde os vossos textos, mas não deixo de os ler. Os comentários é que podem demorar mais um bocadinho a surgir :)

domingo, 26 de abril de 2015

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

   Como nos sentimos quando sabemos que alguém que amamos vai morrer brevemente? Raiva, culpa, impotência, compaixão, sentimentos retratados de uma forma magistral neste livro juvenil adequado, igualmente, a adultos.  Uma metáfora da esperança e da coragem, quando nem todos os monstros são "maus".

Uma Casa no Fim do Mundo

   Sensibilidade, vulnerabilidade, solidão, amizade, amor. A vida de três pessoas um pouco desajustadas, Bobby e Jonathan, amigos desde a adolescência, e Clare, uma mulher mais velha com quem partilham uma casa em Nova Iorque. Juntos, desenvolvem uma relação, desejando um lar e uma vida com sentido. A este trio, junta-se Alice, a mãe de Jonathan, uma mulher solitária.
   Um romance inquietante, belo e triste.

sábado, 25 de abril de 2015

Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro,
tu não tenhas morrido
e talvez nesse livro não escrito
nem tu nem eu tenhamos existido

e tenham sido outros dois aqueles
que a morte separou e um deles
escreva agora isto como se
acordasse de um sonho que

um outro sonhasse (talvez eu),
e talvez então tu, eu, esta impressão
de estranhidão, de que tudo perdeu
de súbito existência e dimensão,

e peso, e se ausentou,
seja um sonho suspenso que sonhou
alguém que despertou e paira agora
como uma luz algures do lado de fora.

Manuel António Pina, Todas as Palavras - poesia reunida, Os Livros.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ponto de situação

   O seguro pagou os dois orçamentos apresentados. Tenho um esquentador ventilado e uma máquina de lavar a roupa novos. Tanto fucei que os encontrei online a um preço mais barato do que na loja do centro comercial perto da minha casa. Com entrega gratuita e remoção do velho aparelho. E se podia ter dois novos electrodomésticos pelo mesmo preço que o conserto, nem hesitei. E são melhores que os antigos.
   Ainda me sobraram 0,90 €. Bem, de facto, o seguro não pagou as duas deslocações dos técnicos nem o rádio-despertador e paguei a aprovação do dossier (é assim o contrato do seguro da casa; foi retirado esse valor da transferência bancária), mas do mal o menos.
   E pronto. Felizmente, tudo está bem quando acaba bem :)

Aristogatos XLVII

Fonte: aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Dia Mundial do Livro

   No passado sábado, requisitei cinco (cinco!) livros da biblioteca. Na verdade, renovei um (que já o li - 'A Pele do Tambor') e estou a terminar 'Uma Casa no Fim do Mundo'. Trouxe dois autores estrangeiros e três de língua portuguesa.
   Para comemorar este dia especial, também comprei dois livros em promoção. É mais forte do que eu. Escolhi um jovem autor português, o Afonso Reis Cabral, 'O Meu Irmão', e uma autora americana, Katherine Anne Porter, 'A Torre Inclinada e Outros Contos'.
   E ainda estive de olho num acabadinho de sair do prelo: 'Doce Pássaro da Juventude e Outras Peças', do ilustre TW, mas não estava em promoção na Bertrand e hoje não é a segunda segunda-feira do mês. Assim, terá de ficar para uma próxima oportunidade.
   Boas leituras!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Pele do Tambor

   Este poderia ser um livro excelente. Um padre do Vaticano, um templário do século XX, é enviado a Sevilha, incumbido de uma missão: descobrir o pirata informático, denominado Vésperas, que conseguiu penetrar no computador do Papa.
   Parecem, quase, dois romances diferentes. De um lado, temos a parte séria, Lorenzo Quart, o padre, a filha da duquesa, Macarena Bruner, uma história romântica e trágica, a fé, um pároco obstinado em defender uma pequenina igreja no centro de Sevilha; do outro lado, grupo de pequenos vigaristas, com uma candura, uma graça, revestidos de um certo humor, agarrados a uma Sevilha de outros tempos, a touradas, coplas, olés, copos de manzanilla e suspiros nostálgicos e amores pretéritos. Claro que não deixamos de nutrir um certa simpatia pela Ninã Punãles, pelo Potro del Mantelete e pelo Don Ibrahim.
   Poderia ser, mas entre o mistério do hacker e o trio de pintas, resta uma história triste, melancólica, que mostra a luta entre o poder da Igreja, o lucro, e a crença em algo mais profundo.
   Todavia, à semelhança de outros romances, o autor termina de forma surpreendente, agarrando o leitor à trama até ao fim.
   E o mais engraçado é que existem inúmeras referências a personagens de outros livros de Pérez-Reverte. :-)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mensagem subliminar

   Só agora reparei que a minha colega traz uma camisola com a imagem de uma fatia de bolo e a mensagem 'Eat cake'. 
   Vou ali ao primeiro andar à máquina dos doces.

Foi na loja do Mestre André

   Há uns dias, deixei de ter a TSF sintonizada no rádio-despertador. Não sei como o fiz. Basta tocar no botão por acidente e aquilo desliza para o lado. Depois, para voltar a encontrá-la é o cabo dos trabalhos (não sei a frequência de cor). Como não estive para me aborrecer, apanhei a RFM. Aquilo é a RFM?  Quem é o Jajão? Estava a vestir-me de manhã e assustei-me. De qualquer forma, detesto kizomba e afins.
   O meu ouvido musical parou algures nos anos 90, com as "4 Non Blondes".  Mas, pronto, lá me acalmei. Agora acordo com a Antena 2. Remédio santo.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Home, sweet home

 
   Ontem, à ida para mais uma sessão de sensibilização num agrupamento escolar, em conversa com uma colega, descobri que a mãe dela é de Parada de Gonta, Tondela. A minha mãe nasceu em Treixedo, Santa Comba Dão.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Salto Mortal


  A história decorre nos anos quarenta e inícios da década de cinquenta do século passado, numa América intolerante e preconceituosa. 
Papa Tony, Ângelo, Mario e Tommy são os Santellis Voadores, uma família de trapezistas, três gerações a actuar juntas. Mas os Santellis são também Lúcia, Liss, Joe, Johnny e a sua mulher Stella, uma família italiana católica, que lutam entre manter as tradições ou preferir técnicas mais modernas.
   Um romance rico em detalhes sobre o mundo circense, mais especificamente sobre a arte do trapézio, um amor da autora, que não se privou de uma pesquisa rigorosa sobre este tema.
   A narrativa é fluida e a autora conseguiu captar as emoções, medos e pressões do casal de trapezistas, Mario e Tommy, um amor que desafia convenções, a que se juntam brigas quase constantes e uma árdua separação. Vemos o crescimento das personagens principais e a consciência de se ser diferente e de ter direito a amar, no meio do sonho que é voar no trapézio.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O Pássaro de Peito Vermelho

   O primeiro policial de Jó Nesbø que li, o primeiro publicado em Portugal, embora seja o terceiro da série "Harry Hole". Harry, um inspector da polícia norueguesa, anti-herói, alcoólico, uma personagem clássica. Uma leitura compulsiva, um autor nórdico a devorar. 
   Os outros policiais desta série já publicados por cá são: O Morcego (#1); Vingança a Sangue Frio (#4); A Estrela do Diabo (#5); O Redentor (#6); O Boneco de Neve (#7) e O Leopardo (#8). O Morcego, embora tenha sido o primeiro livro, foi o último a ser editado em português, há poucas semanas.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Prémios Cigno - nomeação Melhor Blogue LGBT Friendly

   Em primeiro de tudo, aqui está a imagem. Espectacular. Gosto imenso, tem muito charme, embora seja sóbria.  Em segundo, ainda vou a tempo de agradecer e de divulgar esta iniciativa, não vou?  :) Agradeço a quem me nomeou, não estava à espera, este blogue é tão ecléctico, tanto escrevo sobre os meus gatos como sobre livros, a minha vida, os meus desastres domésticos, como registo umas linhas de índole lgbt, é certo. A provar está o meu singelo livro ali à direita (já o leram?) :)
   A votação nos Cigno 2015 encontra-se aberta até dia 24 de Abril, neste link aqui.
   E para comprovar a vertente lgbt deste canto, deixo-vos o vídeo do 'Alta Definição' do sábado passado, que contou com o fabuloso e simpatiquíssimo Marco da Silva. É uma entrevista maravilhosa. :)

Arturo Pérez-Reverte

   Ele é Coy, suspenso do seu trabalho na marinha mercante, um marinheiro introvertido, pouco sociável, calado, perdido em terra. Ela é Tânger, uma historiadora que trabalha no Museu Naval, em Madrid. E há um tesouro perdido num naufrágio dois séculos antes. Esta é mais do que uma história de amor e aventura. Cheia de ternura, melancolia, encerra um final surpreendente.
   Uma narrativa fascinante. Um escritor que se tornou num dos meus favoritos.

   Teresa Mendoza, a Mexicana. De namorada de um narcotraficante de Sinaloa, México, a chefe de um império de tráfico de droga na Costa del Sol, Espanha. De miúda analfabeta a leitora voraz, de rapariga frágil a mulher implacável. Para sobreviver num mundo de homens, há que ser melhor do que eles. Muito melhor.
   Entre "corridos" e tequila, regado com um humor perverso, um escritor - alter ego de Pérez-Reverte - investiga a história de Teresa Mendoza.
   Uma ficção espantosa, confirmando o autor como um dos grandes romancistas espanhóis da actualidade.
   Este é o sexto romance de Pérez-Reverte que leio. Um escritor que recomendo, naturalmente. E é notável a capacidade deste autor de escrever histórias tão diferentes e de apresentar personagens femininas sempre muito fortes.

domingo, 5 de abril de 2015

Feliz páscoa e tal

  Afinal, a máquina de lavar a roupa também quinou. Pois é, passei o fim-de-semana a lavar cuecas e meias e deixei a roupa mais pesada para o pacote da lavandaria. Se o seguro não me pagar, vou abrir um crowdfunding aqui no blogue. E a ajudar à brincadeira, o portátil não aceita o modem novo. Estar a escrever no tablet é dose, mas, vá, pelo menos tenho um :-P
   A vossa páscoa também foi supimpa?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Vida

   "Se calhar, o que acontece é que isto é a vida, dizia para consigo desconcentrada, e o passar dos anos, a velhice, quando chegar, não é mais do que olhar para trás e ver as muitas pessoas estranhas que fomos e nas quais não nos reconhecemos." - p. 192.

   Arturo Pérez-Reverte, A Rainha do Sul, Edições Asa, 2003.