terça-feira, 30 de junho de 2015

Flannery O'Connor - Antologia Indispensável


   Clara Pinto Correia traduziu e escreveu a introdução, na qual conta como descobriu esta autora quando estava nos EUA a tirar o doutoramento. E ficou pasmada e adorou. Adorou as histórias estranhas, esquisitas, perturbadoras, que descrevem a complexidade das relações humanas.
   Nesta selecção de seis contos, Flannery O'Connor mostra-nos as pessoas que viviam no Sul dos Estados Unidos da América na primeira metade do século passado, perversas, loucas, desdenhosas, racistas, inconstantes, arrogantes, sob uma aparente normalidade. Finais felizes? Só nos contos de fadas. Não há aqui poética nem doçura. A prosa de Mary Flannery O'Connor é dura, cruel, violenta.
   Os contos desta antologia são: 'Os Homens Bons não São Fáceis de Encontrar', 'A Gente Sã do Campo', 'As Costas de Parker', 'O Festival de Partridge', 'O Preto Artificial' e o 'Juízo Final'.
   Abundam, infelizmente, as gralhas nesta publicação da Dom Quixote de 1996. Parece que houve uma grande euforia em trazer as histórias à estampa, em detrimento de uma edição cuidadosa. Apesar de tudo, gostei, pelo que classifiquei com 4* no Goodreads.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma pausa com Purcell

   Tirei um dia de férias. Não estava planeado, mas às vezes faço isto. Acordei à hora do costume, seis menos dez, os gatos já estavam a brincar. Existe uma velha cadeira de rodinhas no quarto deles, onde a Dalila dorme. Quando não dorme, entretém-se a empurrá-la de um lado para o outro. Custou-me a adormecer. O pavilhão gimnodesportivo tinha o ar-condicionado no máximo, um barulho infernal. Costumo dormir com a janela um pouco aberta e tive de a fechar. Quarto abafado mais insónia mais sem posição para descansar igual a acordar cedo sem vontade de ir trabalhar. Desliguei o despertador, virei-me para o outro lado e tentei adormecer de novo. Não consegui, embora estivesse cansada. Levantei-me, quarto-de-banho, gatos, cozinha, tartaruga, tudo OK. Era cedo para enviar um SMS à chefe. Voltei para o quarto e lá consegui dormir mais um pouco. Por volta das nove, acordei, SMS, regressei aos braços de Morfeu e despertei às onze e meia com uma sunrise party do vizinho do primeiro frente. Que, atenção, ainda não desligou a música, embora esteja só um pouquinho menos alta. É costume. É novo no prédio e, tirando este aspecto, não é mau vizinho. Foi ele que agarrou no César quando fugiu de casa, há umas semanas, e me disse que tinha dois gatos, ao que eu respondi que tinha quatro. Riu-se e foi à sua vida.
   Por vezes, a música fica a tocar até à noite, nove, nove e meia. Não faz isso muitas vezes e ninguém lhe diz nada. Afinal, do primeiro para o terceiro andar vivem umas cinco famílias (o apartamento por baixo de mim está vago há mais de dez anos e eu vivo no último piso). Não sou eu que lhe vou bater à porta. Sei que exagero. Gosto de silêncio, mas já que tenho de gramar a sua música, se tivesse coragem, bateria à sua porta (com o César ao colo para quebrar o gelo) e emprestar-lhe-ia um dos meus CDs. Diria qualquer coisa como 'O César gosta de Purcell. Não baixe o volume, que se ouve bem na minha sala.'

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A insustentável delicadeza

   Enfiar minas 0,5 mm numa lapiseira é como um elefante atravessar um lago: delicadamente, de nenúfar em nenúfar.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

As Vozes do Rio Pamano


   A Tinta da China publicou em 2008 (Espanha, 2004), o extraordinário 'As Vozes do Rio Pamano', do escritor catalão Jaume Cabré. Do mesmo autor, já tinha lido 'Sua Senhoria', publicado pela mesma editora e escrito em 1991. Ambos os romances foram aplaudidos pela crítica estrangeira. Por cá, tiveram a tradução de Jorge Fallorca, falecido no ano passado.
   'As Vozes do Rio Pamano' é uma poderosíssima saga de 653 páginas (e merece cada palavra), que se centra na aldeia de Torena. Aqui, convivem falangistas e inimigos (maquis), que os combatem na sombra, e, entre ódio, vingança, poder, corrupção, religião e um imenso amor, Caubré, num estilo muito próprio, apresenta uma narrativa irreverente, com humor, mas também dorida e apaixonada, misturando pensamentos em discurso directo com diálogos brutos, poéticos, sofridos e amorosos.
   Cabré utiliza uma escrita absorvente. Avança e recua no tempo em simultâneo, mistura personagens, situações, pensamentos e vidas, tudo fazendo sentido e as 653 páginas são devoradas num ápice. 

   Recomendado vivamente a quem tiver coragem para atacar este colosso.

domingo, 21 de junho de 2015

Opção Jesus

   Estava a terminar o almoço e assistia ao jornal da tarde da rtp1. Passou uma notícia sobre um campeonato de matraquilhos e o comentador disse: 'É a chamada opção Jesus, ou é vermelho ou é verde'.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Ciranda de Pedra


   Adultério, uma filha fora do casamento, loucura, morte, suicídio, mais adultério, aventuras sexuais, religião, homossexualidade, impotência, amor, ódio.
   Um tumulto, esta coisa chamada vida. Custa crescer e perder a inocência.
   "- Você pensa demais, querida. Ande despreocupadamente e verá que não há nem passo bom nem ruim, é ir andando, tocando para a frente. para isso Ele nos deu pernas ágeis."
   Perturbador.
   O livro foi publicado em 1954.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Pássaros e gatos

   A minha vizinha do lado tem um canário. Ouço-o a cantar à medida que subo as escadas até ao nosso piso. Uma vez, tomei conta de um canário. Os donos tinham ido de férias. O chilrear provocava-me imensas dores de cabeça. Nunca mais me ofereci. Não acho piada a pássaros como animais de estimação. Contrariamente à minha mãe. Gostava de todo o tipo de bichos, bem, quase todos. Nunca tivemos hamsters nem peixes quando eu era miúda. Para além dos cães e dos gatos, a minha mãe tinha periquitos. Conseguiu trazer um periquito gigante de Angola. Chamava-se Pinóquio. Tão grande que eu pensava que era um papagaio. Não era gigante, eu é que era pequena. Um dia, abriu a gaiola e voou para o pinhal. Andámos uma tarde à procura dele, a chamar ‘Pinóquio, Pinóquio!’, de cabeça para o ar. Nunca mais o vimos. A minha mãe ficou desconsolada. Lovebirds. Já eu adulta, existia em sua casa um grande macho azul, pomposo, chamado Romeu, que viveu bastante tempo. As constantes Julietas viviam poucos meses. Ele bicava-as no pescoço, possessivo. Morreu solitário, de velhice. A minha mãe chegou a fazer criação e deu-me um casal de periquitos quando comprei a primeira casa, em 2001. Tive-os pouco tempo. Recambiei-os para casa de uma tia, numa ocasião em que manifestou interesse por eles. Já tinha a minha primeira geração de gatos, o Pitágoras, a Bia, o Farrusco e a Joana. Sorte dos pássaros que os gatos nunca olharam duas vezes para eles. Contrariamente ao Texugo, o gato selvagem da minha avó. O periquito dela não durou muito tempo. Um dia, entrei na sala onde estava a gaiola pendurada e a gaiola já não estava pendurada, mas no chão, a porta aberta e umas penas esverdeadas no chão. Foi tudo o que sobrou. Eu tinha medo do Texugo. Tinha um pêlo enorme, branco e negro e só obedecia ao meu tio. Dava-lhe carne e dormia com ele na cama. De resto, passava os dias fora de casa. Na aldeia, não há muitos anos, vi um gato muito parecido com ele, um tataraneto, provavelmente. Não me arrisquei a fazer-lhe festas. Se saísse ao tataravô, teria ficado com quatro arranhões no braço. A minha avó nunca mais teve outro gato. Mas recebia os da minha mãe nas férias, o Mikita, a Boneca e a Nina. Tivemos vários Mikitas. Na próxima, e última geração de gatos, terei um gato com este nome. Agora, bastam-me a Alice, o César, a Dalila e a Elvira.

Inútil


Lygia Fagundes Telles, Ciranda de Pedra (1954),  ebook.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Portugal 2055

  

   Tomei conhecimento hoje do livro 'Portugal 2055 - Uma BD sobre alterações climáticas no nosso país' através do blogue jackolta, do Rui Alex, um dos ilustradores que colaboram neste magnífico trabalho.
   Deixo-vos o link do catálogo virtual (aqui) onde podem ler a BD - eu já o fiz e garanto-vos que é excelente - e se estiverem por Lisboa no próximo sábado à tarde, aproveitem e vão ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, na Rua da Politécnica, junto ao Príncipe Real. A apresentação do livro será às 16:30.
   Como refere o Professor Filipe Duarte Santos, no prefácio da BD: «"Portugal 2055" é um magnífico exemplo destas novas abordagens em que a arte se torna aliada da ciência para nos esclarecer de forma divertida. (...) Uma excelente contribuição acessível a todos, para compreender melhor o que são as alterações climáticas, quais os seus principais impactos em Portugal e como as combater.»

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Sentinela


   Richard Zimler é um bom escritor. Gostei de 'O Último Cabalista de Lisboa', 'A Sétima Porta', 'Os Anagramas de Varsóvia' e a incursão ao mundo de uma adolescente portuguesa nos EUA em 'A Ilha Teresa', mas não consegui entrosar-me com este seu último livro, um policial. A acção desenrola-se em Lisboa, em 2012, a personagem principal é Henrique - Hank - Monroe, inspector-chefe da Polícia Judiciária. A mistura das duas histórias, o homicídio de um construtor civil rico e as suas amizades com personalidades públicas ligadas à política ou altos quadros da administração pública, e o passado traumático de Hank, pareceu-me demasiado confusa, principalmente no que diz respeito à infância violenta e perturbadora do protagonista. Apesar da escrita escorreita, das passagens comovedoras entre Hank, os filhos e o irmão Ernie, apesar da pesquisa do modo de actuação da PJ e do comportamento de uma pessoa com distúrbios de personalidade múltipla, também não ajudou estar contada na primeira pessoa. Talvez a história resulte melhor escrita em inglês, como o é originalmente, e não tanto em português, ou, então, se se passasse algures numa cidade americana, de onde o autor é originário, e não em Lisboa e no Alentejo. Mas, se assim fosse, não teria sido possível criticar o governo, os cortes nos salários, a corrupção, a bancarrota, o tráfico de influências, bem como a sordidez, a podridão e a decadência moral da alta sociedade portuguesa.
   Junta-se o facto de ter encontrado expressões incorrectamente traduzidas. Parece-me que alguém que é criado no Alentejo não diz 'nove menos um quarto da noite' nem 'quarto-de-banho'. Se uma alfacinha dissesse 'tenho um foguete na meia', não seria estranho?
   Na verdade, confesso, eu prefiro os policiais clássicos. Com anti-heróis meditabundos e solitários.

domingo, 14 de junho de 2015

Chuva de Junho

   Se amanhã chover tanto quanto hoje, será que irei usar os meus botins pela primeira vez este ano?

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O Memorial


   'O Memorial, Retrato de uma Família', foi publicado em 1932 e editado em Portugal em 1990 pelas Edições do Brasil. Uma edição cheia de falhas, a começar por uma tradução com alguns erros e terminado numa revisão péssima.
   Christopher Isherwood ainda não tinha 30 anos quando escreveu este seu segundo romance, tendo aproveitado já a sua experiência de vida em Berlim para a incluir na personagem Edward.
   Aqui se caracteriza uma época, neste caso a Inglaterra dos anos 1920, salientando-se a complexidade das personagens: a romântica viúva Lily, agarrada ao passado, cujo marido Richard morreu na Primeira Guerra Mundial, o filho Eric, a cunhada Mary, de passado sombrio, e os seus dois filhos, Maurice e Anne, e o amigo de Richard, Edward Blake, rico, homossexual, que sobreviveu à guerra e que vive, nos últimos tempos, em Berlim com um jovem.
   Não é um romance de fácil leitura. Pelo contrário. As páginas iniciais são um pouco confusas, dificultadas pela má revisão, e a acção só se conclui quase no fim do livro, após o regresso a esse momento (a história volta ao passado, de 1928 para 1920, 1925 e, por fim, 1929).
   E, sensivelmente a meio do livro, a escrita torna-se extraordinária, no capítulo dedicado a Eric, então ainda um jovem adolescente, com um fascínio pela família da sua tia e primos, os Scrivens, tão diferentes da sua mãe e da Mansão onde vivem com o avô, o fidalgo.

   Apesar dos entraves, é uma grande história e mereceu 4* no Goodreads. Se eu fosse dona de uma editora, agarraria neste livro, faria uma nova tradução e uma revisão primorosa e daria a este romance o tratamento merecido.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sangue do Meu Sangue


   O segundo livro de MC que leio. O primeiro foi, não há muito tempo, 'Uma Casa no Fim do Mundo'. Gostei muito, ainda mais do que o primeiro; uma história brilhantemente contada, de uma extrema sensibilidade, porque não há famílias perfeitas, não há harmonia, há filhos, tão diferentes uns dos outros, a perfeita Susan, a sonhadora Zoe, o rebelde Billy. E os pais, o grego Constantine e Mary, de pais italianos, e décadas depois, os dois netos, Ben e Jamal. Três gerações, sete personagens. E à medida que crescem, aprendem a lidar uns com os outros, a amar-se, apesar dos conflitos, dos preconceitos, das desilusões. Porque não é fácil encontrar o seu lugar e ser feliz.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Lugares e Palavras de Lisboa

 

   Participei num passatempo no blogue Dona-Redonda e ganhei este livro. Ainda só passei uma vista de olhos, mas reúne contos de vários autores, para além de um dicionário dos pregões de Lisboa.
   A Redonda escreveu uma das histórias, bem apropriada para o Santo António, que se aproxima.
   Gosto tanto de receber livros, mas nunca tinha ganho um desta maneira. :)

sábado, 6 de junho de 2015

Thinking out of the box

   Esta noite, sonhei com um programa de humor.
   Um dos três humoristas é o Jeremy Clarkson, ou alguém parecido com ele (sim, sou fã do Top Gear). Estão no palco, na verdade, não é um palco, pois supõe um espaço erguido. Estão, apenas, à frente do público sentado, junto a uma parede. O Jeremy e os outros dois humoristas estão em pé em cima de um caixote de papelão aberto e ele começa a caminhar em frente, não parando de falar, e a ponta da caixa vai crescendo, crescendo, à medida que ele dá os passos. De repente, surge um bebé vestido com um babygrow claro a rastejar à frente. A cena continua: o bebé gatinha, a ponta do caixote acompanha-o e o Jeremy segue-os, com um microfone numa mão. Pergunta qualquer coisa a um espectador e este responde em inglês (!):
   - That's one reason. I hope not!
   A sala desata a rir e são atirados bonecos parecidos com o bebé para o palco.
   Acordei às 6:30, levantei-me e fui à cozinha buscar um caderno e apontei o sonho.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Escolhas futuras

   "Ao que parece o país em que vivo, este pequeno rectângulo à beira mar plantado, está de pernas para o ar. Os escândalos fazem fila indiana, como que a quererem ser notícia de capa de jornal ou abertura de noticiário televisivo em horário nobre. Verdadeiro parece ser o facto de o tema base para tudo estar já tão gasto. Infelizmente não podemos viver sem aquela bicha solitária que no final das contas de solitária nada parece ser.
   A conclusão final é que é a mais desconcertante: continuemos ao som dos passos do coelho ou com aquele antónio que dê à costa, a verdade é que será apenas mais do mesmo. E não existe porta mágica que nos salve, pois o povo já não presta cavaco a soluções milagrosas.
   Não existem ruborizados avôs suficientes nem sequer blocos experientes que construam um país melhor. Os cérebros ou estão enjaulados ou fogem como o Diabo à cruz, dando realmente a entender que afinal a massa cinzenta que devia encher aquelas cavidades cranianas não passa de massa da verde, que trama o pobre mas que arreganha os dentes aos afortunados.
   Valha-nos o calor que se entremeia com o vento e laivos de frio. Porque o calor aquece o corpo, enche as esplanadas de ávidos sedentos de água de cevada gaseificada e de chupadores de lesmas com casa, porém potencia o efeito contrário que é o de provocar o esquecimento, cobrindo com um véu as decisões futuras e os escândalos mais dispendiosos, já que os outros são alimentados pelo mesmo calor e escarrapachados nas revistas em que qualquer tuga que se preze, lá investe os parcos euros que ainda sobram.
   Passe a onda de calor e volte-se à contestação, pois o futuro a Deus pertence e o que é de Deus nem sempre está ao alcance de qualquer um."

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Reviver o Passado em Brideshead

   O sub-título deste livro é 'As memórias sagradas e profanas do Capitão Charles Ryder' e foi publicado em 1945 por Evelyn Waugh.
   'Reviver o Passado em Brideshead' conta a história da amizade entre Charles e o peculiar Sebastian, em Oxford, nos inícios dos anos 1920, sendo Charles agnóstico e Sebastin oriundo de uma família católica. Influenciado pela sua mãe, profundamente católica, aos poucos Sebastian vai perdendo o seu comportamento infantil e afunda a sua tristeza num constante estado ébrio, enquanto Charles encontra a sua vocação como pintor, desistindo de Oxford e indo estudar para Paris.
   O tempo é de mudanças; dos exuberantes anos pós-Primeira Guerra Mundial, com bailes de debutantes, festas, alegria, sucedem-se greves e movimentos sociais. Os anos passam. Charles é um reconhecido artista, casado, e a sua antiga amizade com a família é retomada quando encontra Julia, a irmã de Sebastian, que era tão parecida com ele, numa viagem de barco de regresso a Inglaterra. Brideshead encanta, novamente, Charles, mas, tal como acontecera anteriormente entre ele e Sebastian, a religião católica coloca entraves a esta nova relação.
   Sendo um excelente romance - e de 1945, logo a seguir ao fim da II Guerra Mundial -, a revisão da tradução para português deixa muito a desejar. A edição que tenho é a mais recente, com a capa do filme de 2008; a Relógio D'Água publicou-o pela primeira vez em 2002. Nesta reedição, a editora deveria ter realizado uma revisão mais profunda: deixou passar erros como 'coxa' em vez de '' (quando Sebastian parte um dedo do pé - e não da coxa), ou 'encontrar-mo-nos', para além de algumas gralhas que empobrecem o livro.
   Em 1981, a Granada Television produziu a notável mini-série 'Reviver o Passado em Brideshead', que passou em Portugal em meados daquela década. Encontrei a versão restaurada no youtube, num canal criado com este nome. As interpretações de Jeremy Irons (como Charles Ryder - tão novo que ele é aqui) e de Anthony Andrews como Sebastian Flyte são extraordinárias. A série é fiel ao livro, pelo que sugiro que leiam umas dezenas de páginas e depois vejam os episódios. Vale a pena.
   Aqui fica um vídeo do primeiro episódio (cada um tem a duração de dez minutos e passa para o seguinte automaticamente):