sábado, 9 de abril de 2016

Tomem lá umas asas e voem

   - Então e as aves?
   - Isso foi ao quinto dia, juntamente com os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas.
   - Assim, de repente? Tomem lá umas asas e voem?
   - Parece que sim.
   - Todas ao mesmo tempo? Cegonhas, pardais, gaivotas, pombos, falcões, águias, pintassilgos, melros, corvos, codornizes?
   - Com alguns minutos de diferença, provavelmente.
   - Deve ter sido uma coisa linda de se ver, tudo a bater as asas.
   - Podem crer. Uma coisa linda...

João Ricardo Pedro, Um Postal de Detroit, Dom Quixote, 2016, ebook.


Lendo a amostra sem intenções de comprar o livro, até este excerto.
O ebook já está na biblioteca do Kobo...

8 comentários:

  1. E, nesse dia também nasceram os anjos :)

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. "Tomem lá umas asas e voem" gostei da frase e porque não "Tomem uma barbatanas e guelras e nada!"?

    Bom domingo!

    ResponderEliminar
  3. Margarida, os livros têm esta coisa, esta coisa que eu nem sei que nome lhe poderei dar, mas são assim mesmo; eu vi a publicidade ao livro, não conhecia o autor, ainda não tinha lido nada dele, mas automaticamente coloquei o livro na minha wishlist, só porque, lá está, "tenho de o ler". E o autor esteve em Viana do Castelo na Biblioteca Municipal a apresentar esse mesmo livro e com muita pena minha não pude comparecer. Mas são aquelas coisas, aquelas, como eu lembrar-me de passar por aqui - há tanto tempo que cá não venho - e "pimba", lá está aquela coisa que eu não sei que nome lhe dar. Apenas sei que é o livro, esse livro a chamar por mim :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. fui ao goodreads copiar a minha crítica :):
      No presente, um narrador esquizofrénico, há trinta anos, um miúdo sensível e inteligente que perdeu a irmã no acidente de Alcafache, uma estudante de belas-artes, que enchia cadernos de desenhos sem um único esquisso do irmão.
      Através daqueles desenhos, o narrador cria um naipe fabuloso de personagens que rasam a marginalidade, vivendo num bairro lisboeta mal-afamado. Os diálogos são quase cómicos, muito inteligentes, divertidos, confusos, que não conseguem mascarar a dor pela morte da irmã, da filha, de amores não correspondidos.
      Partes da história (muitas, felizmente) estão tão bem escritas que obrigam a uma nova leitura. O melhor capítulo é o «Faça de conta que ainda é noite cerrada em Paris» encerrando, ele mesmo, várias histórias. A narrativa, os diálogos entre o narrador e o senhor F. são extraordinários. Se tivesse queda para a dramaturgia, transformaria este capítulo numa peça de teatro.
      Excelente, este segundo livro do vencedor do prémio Leya.

      Eliminar