sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Leonardo Padura - Mario Conde #3 e #4

   #3 - Máscaras:
   Um travesti vestido de Electra Garrigó é assassinado. Tendo como inspiração Virgilio Piñera (confesso, na minha humildade, que não conhecia), surge o velho Alberto Marqués, homossexual assumido, que abana os preconceitos do polícia Conde.
   Em longos capítulos, Padura descreve as várias facetas do travestismo, as máscaras, e, embora sendo importantes para situar o tema, acabam por tornar este livro, em parte, maçador.
   O que mais me agrada nestes policiais do MC não são, apenas, os casos de homicídio que o Conde tem de resolver; na verdade, os crimes são um empurrão para as histórias mais importantes, as paralelas: a amizade entre ele e o Carlos Magricela, as refeições extraordinárias da mãe do Carlos, as paixões do Conde, a crítica social ao regime de Cuba, o sonho do Conde em ser, finalmente, um escritor, um escritor melancólico, nostálgico, comovedor, é certo, e, claro, a escrita leve, com um traço de ironia, de Padura, não deixando, contudo, de ser pungente, principalmente nas cenas do solitário polícia. Foi isso que senti falta neste terceiro livro da série do Mario Conde.


   #4 - Paisaje de otoño:
   Este é o quarto (e último livro) que reúne um ano da vida de Mario Conde.
   A "Tetralogia das Quatro Estações", como refere o autor no prólogo, começa, assim, no primeiro livro (Um Passado Perfeito), que se desenrola no Inverno (passagem de ano); o segundo (Vientos de cuaresma), passa-se na Primavera; Máscaras, no Verão, e, este, Paisaje de otoño, termina, claro, no Outono, no aniversário do polícia (a 9 de outubro, mesmo dia do aniversário de Leonardo Padura, :-) - mesmo dia, mas não nasceram no mesmo ano), culminando na passagem do ciclone Félix, num final de livro sublime, um dos melhores desta série.
   Todavia, um ciclone mais importante surge na vida do tenente Conde (a leitura dos outros livros é essencial) e ele toma uma decisão irreversível, quando os seus colegas polícias são investigados e o chefe, o Velho, o major Rangel, se aposenta.
   Não falta, sequer, uma cena de 'O Falcão de Malta', que serve de inspiração para uma grande tirada: '«Séptimo: no me agrada la idea de que exista una possibilidad entre cien de que puedas haberme tomado por un imbécil» (...) pero la utilidad de la literatura para explicar la vida volvía a quedarle demonstrada al polícia que rabiosamente sospechaba una cosa: existía más de una possibilidad, casi cien entre cien, de que varias gentes lo hubieran tomado por un imbécil.'
   Mais um excelente livro.

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