quarta-feira, 26 de abril de 2017

Seios

   Fui levantar a mamografia, mas ainda não estava pronta. Desci até à Estrada de Benfica e entrei numa retrosaria que também vendia lingerie. Experimentei vários soutiens. "A senhora tem uns seios estranhos", declarou a dona, depois de lhe devolver três. Apertou alças, encaixou colchetes, ajeitei o peito e, por fim, comprei um 34.
   Recordei-me do Alexandre 'ONeill.



domingo, 16 de abril de 2017

Quem tem medo de Virginia Woolf?

   Primeiro, a peça, no Teatro da Trindade, com  uma fabulosa Alexandra Lencastre e um não menos bom Diogo Infante; depois, rever em casa uma dupla estrondosa: Elizabeth Taylor e Richard Burton.




   Hoje, passei uma Páscoa diferente e fui, com o Adolescente Gay, o Mark e o Francisco,  também comemorar o Dia Mundial da Voz e, na compra de um bilhete, ofereceram outro.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Aristogatos (perdi a conta, como a do IG)

   Eu tinha uma conta no Instagram. Quero dizer, os gatos e a tartaruga e, de vez em quando, lá apareciam uma fotos estranhas de livros, Londres, teatro, um convívio ou outro. Hoje de manhã, não tive acesso e descobri que foi desactivada. Coisa esquisita, o mais provocador que coloquei foi a Alice em poses um pouco escandalosas :p
   Bem, hackeada, denunciada, bloqueada, não faço ideia, mas sei que, assim, é a maneira de voltar a colocar aqui algumas fotos dos bichanos. IG, foi bom, mas acabou.
   Ora apreciem.
 
Alice em pose escandalosa

 César no poleiro

 Dalila na versão «Are U talkin' to me?»

Fred a fazer alongamentos. Foi um dia cansativo, este.

Estavam com saudades? :)

domingo, 9 de abril de 2017

I Am Not Your Negro

   I Am Not Your Negro, realizado por Raoul Peck, foi nomeado para a categoria de melhor documentário na edição deste ano dos Oscars e é um filme baseado na obra, com o mesmo nome, inacabada, do crítico, ensaísta, escritor, dramaturgo, poeta e activista James Baldwin.
   O documentário irá encerrar o IndieLisboa, em Maio, e estreará nos cinemas na mesma altura.
   

   A crítica na Time Out London:

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Mind the gap

   Dois dias em Londres. Uma viagem relâmpago, um tempo excelente. Na mala, tinha luvas, gola para o pescoço, meias grossas, parka, um pequeno guarda-chuva. As luvas ficaram guardadas, o guarda-chuva também. Não planeei a viagem, fui sem locais para visitar, excepto um que tinha que lá ir desse por onde desse (e fui lá duas vezes).
   Viagem agendada pela Easyjet até Luton, à hora do almoço. Tinha uma mala de cabine, pelo que não pedi bagagem de porão, que se pagava (todos os extras nesta companhia pagam-se), mas no aeroporto de Lisboa aconselharam-me a deixá-la no porão, grátis. Aproveitei, não tinha pressa em chegar e, no aeroporto de Luton, que fica bastante afastado da cidade, quando fui apanhar o trolley no tapete, já lá estava, por isso não perdi tempo. Do Luton Parkway, há um comboio até King's Cross St. Pancras, também há autocarros, mais baratos, mas o comboio é muito mais rápido. Depois, apanhei o metro até Paddington.
   O metro de Londres é excelente. Aceita cartões de débito/crédito sem contacto e lá viajei sem problemas. Bastou colocá-lo no sinal amarelo, à entrada e à saída das estações. Basicamente, usei o cartão em quase tudo, embora tivesse algumas libras: desde o Costa para pagar um café americano (£2), até à loja do Museu de História Natural.
   Sem planos, e tendo algum tempo livre, fui a vários locais de entrada gratuita: Museu de História Natural, Tate Modern, passei por locais icónicos. Diverti-me muito, mesmo sozinha, tendo até tido a coragem (juro que não bebi nada alcoólico, ao contrário das britânicas, que adoram vinho branco, duas mulheres viraram uma garrafa ao assistir a um espectáculo na The Comedy Store), bem, tive a coragem de sugerir a um dos 5 comediantes daquela noite que perorasse sobre Portugal ter ganho o Euro2016. Voltando um pouco atrás, na mesma noite em que cheguei, terça-feira, fui de metro até Leicester Square e dei uma volta por aquela zona emblemática; um curto passeio pela Chinatown, saí, mais uma volta, muita gente, mas andava-se muito bem, até ter visto um musical que está a ter um sucesso brutal: "The Book of Mormon". Fui espreitar para ver se ainda havia bilhetes (dos mais baratos, na fila dos cancelamentos de última hora), pois, seria de esperar que não houvesse nada e o espectáculo começou, esgotado, a horas decentes: 19h30.  Uns passos em frente e fui dar à The Comedy Store. Um segurança simpático, dois dedos de conversa, desci e comprei um bilhete para o espectáculo dessa noite, com início às 20h00 e a duração de 2 horas. O tema era discutir as notícias deste e do ano passado, os temas eram sugeridos pelo público. Assim, desde Donald Trump, Síria, as pernas da May, o ataque a um refugiado em Croydon, o artista francês que está a chocar ovos, as eleições francesas e a sugestão da "lady from Portugal", tudo serviu para eles fazerem piadas (no meu caso, o comediante não foi muito bem sucedido, porque deixou de ver o Euro quando a Inglaterra perdeu, mas elogiou o meu british accent, certo... Estava a gozar comigo, claro). Regressei ao hotel quase à meia-noite, a rapariga da recepção perguntou se estava tudo bem comigo, porque ainda tinha os olhos vermelhos; ri-me tanto essa noite que até chorei (provavelmente pensou o pior, porque, antes, tinha-lhe perguntado a direcção de um sítio que ficava perto e ela teria tirado alguma ilação).
   Na quarta-feira, tirei a manhã para tratar de assuntos pessoais e, despachados, fui ao Museu de História Natural, entrada gratuita, wi-fi, a passagem obrigatória pela loja; de seguida, metro até Russell Street para ir à melhor livraria de Londres: Gay's The Word. Graças ao Miguel, com indicações precisas, fui lá ter num instante (no dia anterior, antes de ir até Leicester Square, tinha ido lá dar um salto, mas a livraria - como todos os serviços - fechava às 18h30 e estava mesmo em cima da hora e não tive tempo de ver com calma). Na mesma rua, também existe a Skoob, a segunda melhor livraria de Londres (livros usados).  E, bem próximo, existe um pequeno centro comercial com supermercado, lojas, bancos para nos sentarmos, wi-fi, onde pude comprar alguma comida, pão fresco, fruta, água, a preços muito mais baratos do que nos cafés.
   Na Gay's the Word, comprei dois livros e o dono disse-me que estava uma exposição queer na Tate. Eu pensei que fosse a Tate Modern e lá fui, embora um pouco à pressa, pois fechava às 18h00. Afinal, a exposição era na Tate Britain e pagava-se. Fica para a próxima. Aproveitei que estava na Tate e vi as exposições gratuitas, consegui apanhar o wi-fi no exterior, já a rapar um frio junto ao rio, mais um passeio sem rumo por aquela zona, mais um café americano para levar (muitos take-aways americanos bebi estes dois dias).
   Primavera em Londres, apenas ao fim do dia esteve frio, mas sem vento. Apanhei sol, não comi fish &chips nem o english breakfast, cada vez há mais cafés orgânicos e comidas saudáveis,
   A todas as pessoas que solicitei ajuda, fui bem atendida, mesmo desconhecidos na rua, incluindo uma velha senhora que me indicou o autocarro 90 que parava mesmo em frente a um sítio específico, em Hammersmith. No regresso ao metro, fui a pé, afinal, não estava muito longe.
   Quinta de manhã, voltei para casa; o vôo também era à hora do almoço (preferi pagar mais pela viagem a horas decentes, porque contava com o tempo de deslocação do hotel até ao aeroporto e a minha veia burguesa não me permite, agora, fazer directas e dormir no aeroporto). Encerrando esta viagem a terras de Sua Majestade, no Luton fui directamente para o controlo da bagagem e, como tinha muitos líquidos (cosméticos em vários frasquinhos), eles aconselharam-me que a bagagem fosse no porão.Voltei para trás, felizmente não estava muita gente no controlo do SEF de lá, muito simpáticos, boarding pass novamente, saí, deixei a bagagem no balcão da Easyjet - aqui o empregado disse-me, com uma má cara, que não tinha pago o serviço, ao que eu respondi que lá dentro aconselharam-me a deixá-la ali. Ele lá aceitou, carrancudo. A única cena mal-encarada destes dias, mas a culpa nem foi dele. Nada como ser uma turista honesta e ingénua, :p
   Fartaram-se de me tratar por darling, love, dear, só faltou o pet (a Vera não estava por perto).
   Ficam algumas fotografias: