Durante muitos anos, estive de candeias às avessas com o Saramago. Não conseguia lê-lo.
Há dias, inspirei fundo e resolvi começar de novo. Do zero. Emprestaram-me o "Memorial do Convento" para ler à hora do almoço. Custou, a princípio, mas só a princípio. Estou rendida. Agora, não será apenas à hora do almoço.
"... e circulavam burros à nora, de olhos tapados para terem a ilusão de caminhar a direito, não sabendo, como não sabiam os donos, que andando realmente a direito, também acabariam por vir parar ao mesmo lugar, porque o mundo é ele uma nora e são os homens que, andando em cima dele, o puxam e fazem andar. Mesmo já cá não estando Sebastiana Maria de Jesus para ajudar com as suas revelações, é fácil ver que, faltando os homens, o mundo pára." - p. 66.
Há dias, inspirei fundo e resolvi começar de novo. Do zero. Emprestaram-me o "Memorial do Convento" para ler à hora do almoço. Custou, a princípio, mas só a princípio. Estou rendida. Agora, não será apenas à hora do almoço.
"... e circulavam burros à nora, de olhos tapados para terem a ilusão de caminhar a direito, não sabendo, como não sabiam os donos, que andando realmente a direito, também acabariam por vir parar ao mesmo lugar, porque o mundo é ele uma nora e são os homens que, andando em cima dele, o puxam e fazem andar. Mesmo já cá não estando Sebastiana Maria de Jesus para ajudar com as suas revelações, é fácil ver que, faltando os homens, o mundo pára." - p. 66.
José Saramago, Memorial do Convento, Caminho, 1987, 17.ª edição.