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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Life
Ontem, as tabletes de chocolate Lindt com recheio de whisky e cognac estavam a metade do preço no hipermercado. Trouxe duas.
domingo, 27 de outubro de 2013
Jazz, Murakami, coração
Na sexta, fui ao SeixalJazz. Cheguei uma hora antes, ainda estavam a distribuir os bilhetes aos convidados. Calhou-me um lugar na pontinha. Ainda bem. É o meu lugar preferido. Não foi preciso olhar para o mapa da sala e pedir ‘Quero, se possível, um lugar na ponta, sabe, eu mexo o pé, a perna, o pescoço, pareço uma serpente encantada indiana e depois não quero incomodar a pessoa à minha frente, o pé a batucar na sua cadeira, mas num concerto de jazz, aliás não só de jazz, está a compreender, é impossível ficar quieta’. Calhou-me uma cadeira na pontinha, então, não é que parece que me conhecem já, a senhora da bilheteira e a senhora da entrada do Fórum e o senhor da entrada da sala, que rasga o bilhete e nos indica o lugar?
Na quarta, não pude ir, estava a chover a potes, então, na sexta ao início da tarde entrei na página do SeixalJazz no Facebook, participei num passatempo, mais rápida que o Speedy Gonzales, arriba arriba! e ganhei um convite duplo, um CD – que toca enquanto escrevo - e uma T-shirt e uma noite fantástica. Fiquei, então, na pontinha, ora a perna cruzada, ora a perna estendida no corredor, a bater o pé, os dedos no ar dedilhando um piano inexistente, os olhos fechados, não consigo ir a um concerto e estar de olhos abertos, quero dizer, estou de olhos abertos e depois fecho-os e deixo-me levar pela música, então jazz e improviso, aquilo arrebata e fico rendida. Acabou um pouco depois da meia-noite e foram duas horas de êxtase e o melhor é que não gastei nada, quero dizer, gastei um euro num lápis, nunca são demais os lápis, que está a marcar uma página do novo livro do Murakami.
Pois estou a ler mais um livro do senhor Haruki Murakami. Despachei uns quantos até chegar a este romance, dois dele que já tinha lido, mais outros emprestados, comprados, da biblioteca, e acho que há um tempo próprio para ler o Murakami e não se pode ler tudo de enfiada, quero dizer que é um género de fantasia misturado com a realidade, com histórias engenhosamente criadas. O que é bom neste livro, é recente a sua publicação cá, mas foi escrito em 1985, é que nos transporta à década de 1980 e é quase um regresso ao passado. Há meses, tinha lido o primeiro capítulo em inglês, mas eu e o inglês, bem, safo-me, serve para pouco mais do que responder aos turistas quando estou debaixo do viaduto de Sete Rios à espera do transporte do serviço, ‘Where’s the expresso station?’, e eu, «Outro, vale mais ter um cartaz igual aos da manifestação.», ‘You see that yellow wall?', e o rapaz olha e diz que sim e eu ‘Before that wall you turn right, go to the end, turn left, go upstairs.’ Agradecimentos do rapaz, espero que ele tenha entendido e não vá parar ao IPO e volto ao Murakami enquanto o autocarro não chega.
‘Coração, cora-ção, tira-se o cora fica o ção’, era o jogo de palavras que uma miudinha de uns sete anos fazia ao meu lado ontem à tarde no metro. E eu fiquei a pensar que ela tinha razão, coração, cora são, um coração que cora é um coração são e depois regressei, oh, surpresa, ao Murakami e sublinhei isto com o lápis do SeixalJazz:
‘- Não deves permitir que o cansaço se instale no teu coração – aconselhou ela. – A minha mãe dizia sempre isto. Mesmo que o cansaço se apodere de ti, do teu corpo, dizia ela, devemos continuar sempre a ser donos do nosso coração.’
Na quarta, não pude ir, estava a chover a potes, então, na sexta ao início da tarde entrei na página do SeixalJazz no Facebook, participei num passatempo, mais rápida que o Speedy Gonzales, arriba arriba! e ganhei um convite duplo, um CD – que toca enquanto escrevo - e uma T-shirt e uma noite fantástica. Fiquei, então, na pontinha, ora a perna cruzada, ora a perna estendida no corredor, a bater o pé, os dedos no ar dedilhando um piano inexistente, os olhos fechados, não consigo ir a um concerto e estar de olhos abertos, quero dizer, estou de olhos abertos e depois fecho-os e deixo-me levar pela música, então jazz e improviso, aquilo arrebata e fico rendida. Acabou um pouco depois da meia-noite e foram duas horas de êxtase e o melhor é que não gastei nada, quero dizer, gastei um euro num lápis, nunca são demais os lápis, que está a marcar uma página do novo livro do Murakami.
Pois estou a ler mais um livro do senhor Haruki Murakami. Despachei uns quantos até chegar a este romance, dois dele que já tinha lido, mais outros emprestados, comprados, da biblioteca, e acho que há um tempo próprio para ler o Murakami e não se pode ler tudo de enfiada, quero dizer que é um género de fantasia misturado com a realidade, com histórias engenhosamente criadas. O que é bom neste livro, é recente a sua publicação cá, mas foi escrito em 1985, é que nos transporta à década de 1980 e é quase um regresso ao passado. Há meses, tinha lido o primeiro capítulo em inglês, mas eu e o inglês, bem, safo-me, serve para pouco mais do que responder aos turistas quando estou debaixo do viaduto de Sete Rios à espera do transporte do serviço, ‘Where’s the expresso station?’, e eu, «Outro, vale mais ter um cartaz igual aos da manifestação.», ‘You see that yellow wall?', e o rapaz olha e diz que sim e eu ‘Before that wall you turn right, go to the end, turn left, go upstairs.’ Agradecimentos do rapaz, espero que ele tenha entendido e não vá parar ao IPO e volto ao Murakami enquanto o autocarro não chega.
‘Coração, cora-ção, tira-se o cora fica o ção’, era o jogo de palavras que uma miudinha de uns sete anos fazia ao meu lado ontem à tarde no metro. E eu fiquei a pensar que ela tinha razão, coração, cora são, um coração que cora é um coração são e depois regressei, oh, surpresa, ao Murakami e sublinhei isto com o lápis do SeixalJazz:
‘- Não deves permitir que o cansaço se instale no teu coração – aconselhou ela. – A minha mãe dizia sempre isto. Mesmo que o cansaço se apodere de ti, do teu corpo, dizia ela, devemos continuar sempre a ser donos do nosso coração.’
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Quinta-feira, night and day
Tive um sonho muito estranho esta noite, depois de ter sido acordada pela Elvira, aí pelas quatro da madrugada. Tinha saudades da Alice. A Alice estava no veterinário. Calma, não está doente. Fui lá levá-la para a recolha de sangue, que será hoje.
Comecemos pelo princípio, então. Ontem saí mais cedo, fui a um notário tratar da papelada para a família da terra, entretanto a veterinária responsável pela recolha de sangue telefonou e fui deixar a Alice no sítio do costume, chovia que deus a dava, deixei a gata na gaiola, triste, mais triste eu fiquei, coloquei um tapete que tinha o cheiro das gatas e que a Elvira costuma arrastar pelo chão e ela lá ficou, com os seus grande olhos verdes a olharem-me enquanto me afastava.
Fui para casa, numa aberta, aí pela melhor hora de ir às compras no Dia que é a partir das 8 da noite (acho que fecha meia hora, ou uma hora mais tarde), fui utilizar o desconto de 1,5€ em 15€ em compras. Já tinha a lista feita e preços comparados e o Continente é tão mais caro, mesmo. Por exemplo, a areia perfumada - para as gatas só o melhor e o meu nariz agradece - é 1,64€ e no hiper é 0,30€ mais caro – e mais umas coisas com desconto, enfim, 15€ atingiram-se num instante, eu tontinha a falar sozinha com uma data de talões de desconto nas mãos a fazer contas de cabeça a ver se compensava o desconto. A maior parte nem foi utilizada, pois não compro esses produtos e consumo cada vez mais coisas da marca da loja.
De seguida, eram nove e picos, ainda pensei ir ao Seixaljazz para ver se me animava, mas continuava a chover e no dia seguinte teria que me levantar cedo e desisti.
Li um pouco, acabei com uma tablete de chocolate Nestlé, comi um iogurte, dei as boas-noites às gatas e fui para a cama.
Pela madrugada, então, a Elvira arranha a porta do quarto, acorda-me, abro a porta, entram as duas, saltam para a cama, ajeitam-se, a Joana continua a bufar à Elvira, odeia-a, não é brincadeira, não a aceita, há quase três meses que vivem juntas e não há convívio. A Joana é uma gata muito egoísta, muito ciumenta, agora que os outros gatos morreram é a mais velha e agora quem manda aqui sou eu. Ainda tolera a Alice, mas a mais novita nem barrada com paté de atum lá vai.
Lá dormimos as três e comecei a sonhar, embalada por um valente temporal. Senti, no meio do sonho, uma presença no quarto e o coração começa a bater mais rápido, eu desperto devagar mas continuo de olhos fechados. Então, abro os olhos e penso, penso sempre da mesma maneira, já que não é a primeira vez que tenho pesadelos ‘sobrenaturais’, «Não é nada, é energia, tu não és como a tua mãe, que ouvia a água a correr nas torneiras e a chave à porta e ninguém entra, etc. Tu não acreditas nestas coisas». Lá estico um braço e acendo o candeeiro da mesa-de-cabeceira e não funciona. Tiro o lenço que tapa os números fosforescentes do rádio-despertador (não consigo adormecer com luz) e está desligado. «Isto não é bom», lá pensei. Levantei-me (a sonhar, ainda) e fui ao quarto-de-banho, porque tenho outro rádio-despertador lá (dá-me jeito ver as horas e ouvir a Antena 2) e está a piscar algures nas três e picos. Pensei que tivesse faltado a electricidade devido à chuva. Ou seja, fiquei na mesma, não sabia as horas certas. Fui à cozinha, porque tenho lá um grande relógio na parede, e quando acendi a luz aquilo estava muito estranho. Em frente ao micro-ondas estava uma máquina de café. Não uma dessas caseiras, mas uma mini-industrial, até me recordo que tinha a cor vermelha, e ao seu lado duas pás do lixo, molhadas. Pás do lixo! A cozinha também estava molhada e procurei a tartaruga, para ver se continuava no seu canto. Não me lembro se estava lá, mas notei que a mesa da cozinha – uma grande mesa de vidro que está lá desde que comprei a casa – estava toda desarrumada e cheia de sacos de plástico. Continuo a sentir uma presença estranha em casa, mas, entrementes, o rádio toca. São seis horas. Acordo com a TSF.
Respiro de alívio. As gatas lá estão. A Elvira mia desconsolada. Tem saudades da Alice. Deita-se no chão e ronrona e mia quando eu pego nela e a coloco no ombro. Nunca a vi assim tão carente. A Joana olha-nos ciumenta, mas não se aproxima. Lá deixo a pequenita e ajoelho-me e encho-a de festas e mimos.
No quarto-de-banho, senti uma dor no lado direito da barriga. Tão forte que tive que me dobrar e pensei que fosse algo como apendicite. Depois pensei no mais simples, com toda a porcaria que comi na véspera – não tive tempo de almoçar, comi umas sandes e depois abri uma lata de sardinha em tomate e não esqueçamos o chocolate. Passei a hora antes de sair de casa a arrotar, enquanto procurava um Kompensan e nada.
Entretanto, li algures que houve um dia ‘purple’ ou ‘Spirit Day’, que significa apoiar os jovens lgbt contra o bullying, usando uma peça de roupa roxa. Bem, do dia 17 para hoje só vai uma semana, mas hoje estou roxa em 90% da vestimenta, nas galochas, na camisola de alças de licra e na camisola da Bennetton.
Falando em lgbt, estou a ler o último romance da Inês Pedrosa ‘Dentro de ti ver o mar’ e só agora, que já passei da metade, é que me está a entusiasmar. Não me cativou no início e é sobre mulheres e amor, posse, desespero, sofrimento, fado, no meio há muitas reflexões sobre o amor, o fundamentalismo, o feminismo, o individualismo e perdas e modernidade e enfim, tanta coisa que as personagens acabam por não ter a profundidade que mereceriam. No meio há uma rapariga iraniana que, para adquirir a nacionalidade portuguesa, casa com o homossexual de meia-idade seropositivo. Nesta parte, há umas observações sobre o flagelo da sida nos anos oitenta e a morte dos seus amigos, etc. Julgo que não valerá a pena incluir este romance na página da literatura gay portuguesa no Goodreads, é uma personagem que não evolui muito, secundária.
Acho que é o problema deste romance, quer falar de tudo um pouco, a IP escreve muito bem, mas aquilo que já todos conhecemos e depois há qualquer coisa que me desgosta, a maneira de intelectualizar certos temas. Enfim, só li dois romances delas que me emocionaram bastante, ‘Fazes-me falta’ e ‘Nas tuas mãos’.
Continuo com uma pontada do lado direito da barriga. Chove a potes. A Elvira está triste, a Joana resmungona e a Alice sozinha no veterinário por um bem maior.
Este dia vai custar a passar.
Comecemos pelo princípio, então. Ontem saí mais cedo, fui a um notário tratar da papelada para a família da terra, entretanto a veterinária responsável pela recolha de sangue telefonou e fui deixar a Alice no sítio do costume, chovia que deus a dava, deixei a gata na gaiola, triste, mais triste eu fiquei, coloquei um tapete que tinha o cheiro das gatas e que a Elvira costuma arrastar pelo chão e ela lá ficou, com os seus grande olhos verdes a olharem-me enquanto me afastava.
Fui para casa, numa aberta, aí pela melhor hora de ir às compras no Dia que é a partir das 8 da noite (acho que fecha meia hora, ou uma hora mais tarde), fui utilizar o desconto de 1,5€ em 15€ em compras. Já tinha a lista feita e preços comparados e o Continente é tão mais caro, mesmo. Por exemplo, a areia perfumada - para as gatas só o melhor e o meu nariz agradece - é 1,64€ e no hiper é 0,30€ mais caro – e mais umas coisas com desconto, enfim, 15€ atingiram-se num instante, eu tontinha a falar sozinha com uma data de talões de desconto nas mãos a fazer contas de cabeça a ver se compensava o desconto. A maior parte nem foi utilizada, pois não compro esses produtos e consumo cada vez mais coisas da marca da loja.
De seguida, eram nove e picos, ainda pensei ir ao Seixaljazz para ver se me animava, mas continuava a chover e no dia seguinte teria que me levantar cedo e desisti.
Li um pouco, acabei com uma tablete de chocolate Nestlé, comi um iogurte, dei as boas-noites às gatas e fui para a cama.
Pela madrugada, então, a Elvira arranha a porta do quarto, acorda-me, abro a porta, entram as duas, saltam para a cama, ajeitam-se, a Joana continua a bufar à Elvira, odeia-a, não é brincadeira, não a aceita, há quase três meses que vivem juntas e não há convívio. A Joana é uma gata muito egoísta, muito ciumenta, agora que os outros gatos morreram é a mais velha e agora quem manda aqui sou eu. Ainda tolera a Alice, mas a mais novita nem barrada com paté de atum lá vai.
Lá dormimos as três e comecei a sonhar, embalada por um valente temporal. Senti, no meio do sonho, uma presença no quarto e o coração começa a bater mais rápido, eu desperto devagar mas continuo de olhos fechados. Então, abro os olhos e penso, penso sempre da mesma maneira, já que não é a primeira vez que tenho pesadelos ‘sobrenaturais’, «Não é nada, é energia, tu não és como a tua mãe, que ouvia a água a correr nas torneiras e a chave à porta e ninguém entra, etc. Tu não acreditas nestas coisas». Lá estico um braço e acendo o candeeiro da mesa-de-cabeceira e não funciona. Tiro o lenço que tapa os números fosforescentes do rádio-despertador (não consigo adormecer com luz) e está desligado. «Isto não é bom», lá pensei. Levantei-me (a sonhar, ainda) e fui ao quarto-de-banho, porque tenho outro rádio-despertador lá (dá-me jeito ver as horas e ouvir a Antena 2) e está a piscar algures nas três e picos. Pensei que tivesse faltado a electricidade devido à chuva. Ou seja, fiquei na mesma, não sabia as horas certas. Fui à cozinha, porque tenho lá um grande relógio na parede, e quando acendi a luz aquilo estava muito estranho. Em frente ao micro-ondas estava uma máquina de café. Não uma dessas caseiras, mas uma mini-industrial, até me recordo que tinha a cor vermelha, e ao seu lado duas pás do lixo, molhadas. Pás do lixo! A cozinha também estava molhada e procurei a tartaruga, para ver se continuava no seu canto. Não me lembro se estava lá, mas notei que a mesa da cozinha – uma grande mesa de vidro que está lá desde que comprei a casa – estava toda desarrumada e cheia de sacos de plástico. Continuo a sentir uma presença estranha em casa, mas, entrementes, o rádio toca. São seis horas. Acordo com a TSF.
Respiro de alívio. As gatas lá estão. A Elvira mia desconsolada. Tem saudades da Alice. Deita-se no chão e ronrona e mia quando eu pego nela e a coloco no ombro. Nunca a vi assim tão carente. A Joana olha-nos ciumenta, mas não se aproxima. Lá deixo a pequenita e ajoelho-me e encho-a de festas e mimos.
No quarto-de-banho, senti uma dor no lado direito da barriga. Tão forte que tive que me dobrar e pensei que fosse algo como apendicite. Depois pensei no mais simples, com toda a porcaria que comi na véspera – não tive tempo de almoçar, comi umas sandes e depois abri uma lata de sardinha em tomate e não esqueçamos o chocolate. Passei a hora antes de sair de casa a arrotar, enquanto procurava um Kompensan e nada.
Entretanto, li algures que houve um dia ‘purple’ ou ‘Spirit Day’, que significa apoiar os jovens lgbt contra o bullying, usando uma peça de roupa roxa. Bem, do dia 17 para hoje só vai uma semana, mas hoje estou roxa em 90% da vestimenta, nas galochas, na camisola de alças de licra e na camisola da Bennetton.
Falando em lgbt, estou a ler o último romance da Inês Pedrosa ‘Dentro de ti ver o mar’ e só agora, que já passei da metade, é que me está a entusiasmar. Não me cativou no início e é sobre mulheres e amor, posse, desespero, sofrimento, fado, no meio há muitas reflexões sobre o amor, o fundamentalismo, o feminismo, o individualismo e perdas e modernidade e enfim, tanta coisa que as personagens acabam por não ter a profundidade que mereceriam. No meio há uma rapariga iraniana que, para adquirir a nacionalidade portuguesa, casa com o homossexual de meia-idade seropositivo. Nesta parte, há umas observações sobre o flagelo da sida nos anos oitenta e a morte dos seus amigos, etc. Julgo que não valerá a pena incluir este romance na página da literatura gay portuguesa no Goodreads, é uma personagem que não evolui muito, secundária.
Acho que é o problema deste romance, quer falar de tudo um pouco, a IP escreve muito bem, mas aquilo que já todos conhecemos e depois há qualquer coisa que me desgosta, a maneira de intelectualizar certos temas. Enfim, só li dois romances delas que me emocionaram bastante, ‘Fazes-me falta’ e ‘Nas tuas mãos’.
Continuo com uma pontada do lado direito da barriga. Chove a potes. A Elvira está triste, a Joana resmungona e a Alice sozinha no veterinário por um bem maior.
Este dia vai custar a passar.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
40 - II
De quatro em quatro, ou de cinco em cinco meses, corto o cabelo. Ontem, a M., que é a minha cabeleireira e dona de um singelo negócio de bairro, encontrou mais cabelos brancos. Mas depois disfarçou e disse que estavam por baixo e mal se viam. Hã-hã...
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Cultura, cabelo branco e cinema
Fui comprar o bilhete para o espectáculo do Diogo Infante, para Domingo. Como é o último dia de exibição, e não se fazem reservas por telefone, nem na Ticketline, tive de me deslocar ao S. Jorge. Como também não há lugares marcados, terei que chegar às 16,30, que a peça começa pelas 17h. Aproveitei que estava no cinema e fui ao wc (que isto de beber mais de um litro de água por dia origina frequentes passeatas ao quarto-de-banho). Depois, olhei-me ao espelho (digam lá se não fazem o mesmo :D) e vi um cabelo branco no alto da cabeça. Um cabelo branco! Sei que os tenho, mas em lugares pouco visíveis, e sou do género, longe da vista, longe do coração. Pois é, os quarenta aproximam-se a galope e tudo fazem para que eu não me esqueça.
De seguida, fui ao cinema, não era dia do espectador no El Corte Inglés, mas tinha uns pontos no cartão e usei-os na compra de um bilhete de quarta-feira, a 4,70 €.
A seguir, lá me convenceram a não perder a exposição da Joana Vasconcelos, 'O quê? Tens de ir. Ela esteve em Versalhes e é a maior exposição dela e o Palácio é tão belo, é um contraste muito interessante' e tal e eu 'ela não é a minha praia', e a ver a minha vida a andar para trás, a desenculturar-me e pronto, dei a mão à palmatória, os 10 € pagam a exposição e uma parte da visita ao Palácio Nacional da Ajuda (o bilhete normal é 5 €), embora nem todas as salas estejam abertas ao público. Mas nem pensam que vou ficar duas horas e meia na fila lá para comprar o bilhete. Já basta o que se tem de esperar para entrar, é melhor levar farnel para a ocasião e um livro... Felizmente, os bilhetes estão à venda na Ticketline e tenho uma Worten ao pé de casa e lá fui comprar um.
Por outro lado, temos o 'Lisboa na rua', e gostaria de assistir a alguns eventos, mas isto de acordar cedo, nem com um balde de café lá vai. Pelas 11, 11,30, estou a bocejar e a chamar pelo sofá. Para além de tudo, continuo a medicar o Farrusco e convém não atrasar muito a toma do analgésico. Tem nova consulta de rotina na segunda (o hospital é um espectáculo, estas consultas de rotina não se pagam).
Resumindo e baralhando, amanhã vou ver a JV depois do almoço, é brincadeira para durar a tarde toda. De seguida, aproveitarei e ficarei pela Baixa e darei uma saltada à Mouraria para assistir ao 'Belissima', do L. Visconti, no âmbito do 'Fitas na Rua'. Domingo é a vez da peça 'Preocupo-me, Logo Existo'. Fim-de-semana cheio. Espero que não surjam mais cabelos brancos.
De seguida, fui ao cinema, não era dia do espectador no El Corte Inglés, mas tinha uns pontos no cartão e usei-os na compra de um bilhete de quarta-feira, a 4,70 €.
A seguir, lá me convenceram a não perder a exposição da Joana Vasconcelos, 'O quê? Tens de ir. Ela esteve em Versalhes e é a maior exposição dela e o Palácio é tão belo, é um contraste muito interessante' e tal e eu 'ela não é a minha praia', e a ver a minha vida a andar para trás, a desenculturar-me e pronto, dei a mão à palmatória, os 10 € pagam a exposição e uma parte da visita ao Palácio Nacional da Ajuda (o bilhete normal é 5 €), embora nem todas as salas estejam abertas ao público. Mas nem pensam que vou ficar duas horas e meia na fila lá para comprar o bilhete. Já basta o que se tem de esperar para entrar, é melhor levar farnel para a ocasião e um livro... Felizmente, os bilhetes estão à venda na Ticketline e tenho uma Worten ao pé de casa e lá fui comprar um.
Por outro lado, temos o 'Lisboa na rua', e gostaria de assistir a alguns eventos, mas isto de acordar cedo, nem com um balde de café lá vai. Pelas 11, 11,30, estou a bocejar e a chamar pelo sofá. Para além de tudo, continuo a medicar o Farrusco e convém não atrasar muito a toma do analgésico. Tem nova consulta de rotina na segunda (o hospital é um espectáculo, estas consultas de rotina não se pagam).
Resumindo e baralhando, amanhã vou ver a JV depois do almoço, é brincadeira para durar a tarde toda. De seguida, aproveitarei e ficarei pela Baixa e darei uma saltada à Mouraria para assistir ao 'Belissima', do L. Visconti, no âmbito do 'Fitas na Rua'. Domingo é a vez da peça 'Preocupo-me, Logo Existo'. Fim-de-semana cheio. Espero que não surjam mais cabelos brancos.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Miserável
Ontem, antes de ir visitar o gato ao veterinário, passei pelo hipermercado para comprar comida para a tartaruga. Passou semanas sem comer nada de jeito, até que, finalmente, desovou há uns dias e agora está sempre esfomeada.
Estava eu nas caixas rápidas de pagamento, quando apareceu atrás de mim uma mulher com uma caixa de pensos rápidos. Dirigiu-se a mim com um 'Não pode dar uma ajudinha?' e apenas pensei, tudo tão automático e preconceituoso, confesso agora, 'Como é que os seguranças deixaram entrar uma pedinte.' e retorqui rapidamente (estava com pressa e preocupada com o gato) 'Você não pode estar aqui a vender isso!' Virei-lhe costas, continuei a fazer o pagamento e saí. E depois fiquei tão zangada comigo própria, porque o que ela queria era uma ajuda para comprar a pequena embalagem de pensos.
Quase um dia depois, ainda me sinto uma miserável, com remorsos por ter desprezado aquela mulher, por a ter tratado de uma forma tão horrível. Alcoólica, toxicodependente, seria, provavelmente, já não é a primeira vez que a vejo nestas bandas, (embora nunca num centro comercial), mas ninguém merece ser tratado assim.
E eu, que amo os meus animais, que gasto rios de dinheiro com eles, não fui capaz de gastar um euro com ela. E mesmo que tal não se verificasse, isso não é o mais importante, devia tê-la tratado humanamente e não escorraçá-la. Ninguém merece ser desprezado dessa forma.
Estava eu nas caixas rápidas de pagamento, quando apareceu atrás de mim uma mulher com uma caixa de pensos rápidos. Dirigiu-se a mim com um 'Não pode dar uma ajudinha?' e apenas pensei, tudo tão automático e preconceituoso, confesso agora, 'Como é que os seguranças deixaram entrar uma pedinte.' e retorqui rapidamente (estava com pressa e preocupada com o gato) 'Você não pode estar aqui a vender isso!' Virei-lhe costas, continuei a fazer o pagamento e saí. E depois fiquei tão zangada comigo própria, porque o que ela queria era uma ajuda para comprar a pequena embalagem de pensos.
Quase um dia depois, ainda me sinto uma miserável, com remorsos por ter desprezado aquela mulher, por a ter tratado de uma forma tão horrível. Alcoólica, toxicodependente, seria, provavelmente, já não é a primeira vez que a vejo nestas bandas, (embora nunca num centro comercial), mas ninguém merece ser tratado assim.
E eu, que amo os meus animais, que gasto rios de dinheiro com eles, não fui capaz de gastar um euro com ela. E mesmo que tal não se verificasse, isso não é o mais importante, devia tê-la tratado humanamente e não escorraçá-la. Ninguém merece ser desprezado dessa forma.
terça-feira, 23 de julho de 2013
All work and no play makes Margarida a dull girl
Depois dos estores esfregados e das janelas limpas, mereço uma recompensa.
A tradução é pobre, falta-lhe a centelha da poesia. Está a anos-luz do excelente trabalho da Maria João Lourenço, da Casa das Letras.
A tradução é pobre, falta-lhe a centelha da poesia. Está a anos-luz do excelente trabalho da Maria João Lourenço, da Casa das Letras.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Idade
Há uns dias, fui comprar um creme anti: anti-idade, anti-fadiga, anti-flacidez, anti-realidade-como-se- tivesse-trinta-anos-para- sempre.
Sim, não parecer a idade que tenho dá muito trabalho, embora lavar o
rosto com água fria ajude. Não é verdade que a criogenia preserva?
Pois estava eu a ler as letras miudinhas da embalagem e tive que a afastar bem dos olhos, assim bem um meio-braço. Na verdade, tive que regular a distância até as conseguir ler. E vai daí lembrei-me de quando mudei de óculos, em Abril passado. Aumentei um pouco a graduação e disse à médica a minha idade: 'quase nos quarenta' e sai ela com esta pérola: 'daqui a nada terá que tirar os óculos para ler.'
Pois estou a dois meses e picos de fazer os quarenta...
Pois estava eu a ler as letras miudinhas da embalagem e tive que a afastar bem dos olhos, assim bem um meio-braço. Na verdade, tive que regular a distância até as conseguir ler. E vai daí lembrei-me de quando mudei de óculos, em Abril passado. Aumentei um pouco a graduação e disse à médica a minha idade: 'quase nos quarenta' e sai ela com esta pérola: 'daqui a nada terá que tirar os óculos para ler.'
Pois estou a dois meses e picos de fazer os quarenta...
domingo, 21 de abril de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Just a perfect day
Um fim-de-semana prolongado e a mudança da hora fez com que ontem estivesse a ler até às tantas e hoje, por ser início do mês e regresso das mini-férias, acordar sem despertador sem saber bem a razão e sair de casa mais cedo para comprar o passe e evitar a fila na bilheteira.
Apesar de tudo, lá consegui beber o nicola no café da estação e apanhar o comboio das 7,48.
Parafraseando o sad eyes, bom dia ao som de Perfect Day, de Lou Reed.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Yo no creo en brujas
Ainda a propósito da oferta da minha monografia à CM de Lisboa, ontem fui ter com a técnica do GEO. Conversa puxa conversa e fiquei a saber que os seus sogros vivem muito perto da minha aldeia. Ela tem a minha idade, mais ou menos, e o filho passa as férias com os avós e costuma ir de bicicleta até ao lugar onde eu passei a minha infância. Onde agora é a ecopista do Dão, antes passava a linha de caminho-de-ferro. Muitas caminhadas fiz eu por aquela linha...
Pois é, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay...
Pois é, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay...
segunda-feira, 18 de março de 2013
Me, myself and I VI
Em 1997, fui bastante poética quando escrevi o índice da monografia apresentada no âmbito da disciplina de Seminário de Investigação do 4.º ano do meu curso. Rezava assim:
Tive 16 valores com esta brincadeira :)
(OMG, eu discuti com o Mesquitela Lima 'a monotonia de um batatal'!)
- Agradecimentos.
- À guiza de prefácio ou confissões da escriba.
- Introdução: Pena e tinteiro, Malinowski e internet ou propostas metodológicas.
- Capítulo I: Dos arrabaldes mouriscos à popularidade de um bairro alfacinha ou análise histórico-geográfica da Mouraria; O ano da Peste ou sinopse histórica da Procissão.
- Capítulo II: Da ermida de São Sebastião à capela de Nossa Senhora da Saúde ou origem da capela do culto; Somos vossos Irmãos e vossas Irmãs ou a Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e São Sebastião.
- Capítulo III: Nas vésperas do grande dia ou os preparativos da Procissão da Saúde; Nossa Senhora da Saúde dormiu fora esta noite ou a Procissão de Velas da Mouraria à Sé.
- Capítulo IV: Velas, promessas música e Militares ou uma Procissão de Acção de Graças; A viagem dos Santos da religião católica ou o papel dos vários santos; Venha a nós o Vosso Reino ou o povo como o grande participante.
- Considerações Gerais.
- Bibliografia.
- Anexos.
- I - Miguel Torga (Diário IV, pp. 22-23): ...'A ciência social não é ainda uma ciência controlada, onde as reacções estejam previstas, com cadinhos para o ouro e chaminés para a escória. Aqui é preciso aceitar tudo, porque trigo e joio fazem parte do mesmo corpo, sem possibilidade de separação. Daí multiplicidade, partidas, controvérsias, oposição. E isto é força, é dialéctica, é criação. A uniformidade social é a monotonia de um batatal. E a história perdoa tudo, menos a monotonia.'
- II - Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras, pp. 94-95.
- III - Ernst Cassirer, Essai sur l'Homme, p. 43.
- IV - Marcel Mauss, Ensaio sobre a Dádiva, p. 185.
- V - Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões, p. 582.
Tive 16 valores com esta brincadeira :)
(OMG, eu discuti com o Mesquitela Lima 'a monotonia de um batatal'!)
quinta-feira, 14 de março de 2013
Me, myself and I V
Está uma pessoa a trabalhar muito concentrada e recebe um telefonema sobre a tese de licenciatura que terminou algures no final do século passado (1997). O tema escolhido deveu-se ao facto de, naquela altura, viver na Mouraria e o trabalho de campo estar ali à mão de semear (isto é que é ser prática e não, não é o Fado).
Fiquei a saber que as teses que estavam na biblioteca da FCSH e escritas antes de 2005 foram destruídas (gostava que me confirmassem isto), incluíndo, assim, a minha. Não existindo em suporte digital, perderam o único estudo (disse-me a pessoa da CM de Lisboa) sobre esse tema.
Com um sorriso de orelha a orelha, respondi que iria procurar a monografia (não lhe disse que estava na arrecadação - já não lhe coloco os olhos há uma década) e oferecê-la ao Departamento de Património Cultural com todo o gosto.
Já (por telefone, ok) me convidaram a colaborar com eles (voluntariamente, claro está). 2013 está a começar muito bem e pode ser que regresse às minhas origens. É cruzar os dedos :)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Me, myself and I IV
Tenho quatro toques muito importantes no telemóvel. São os resistentes, os que ficam à medida que os anos passam.
'Dexter'
'Sete Palmos de Terra'
'Love of the Loveless', Eels
'Tubular Bells', nas sms.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
The Versatile Blogger Award
O Kuma, autor do blogue 'Vírgulas do Destino', agraciou-me com mais um prémio. O sad eyes, por outro lado, também me escolheu em idêntico post.
Agradeço aos dois, mas vou contornar as regras e não nomear 15 (15!) blogues, conhecemos mais ou menos os mesmos e iríamos repetir as escolhas.
Então, aqui estão sete coisas sobre mim:
I - Adoro gatos (tenho quatro), mas o único gato de quatro patas que dorme comigo é mesmo este:
II - No dia do fim do mundo, ofereceram-me esta capa felina. Safou-me do cataclismo. O próprio susto teve medo e deu meia volta.
III - Tenho um péssimo sentido de orientação. Já me perdi muitas vezes em cidades que conheço pela primeira vez. Por outras palavras, não sei ler um mapa.
IV - Não conduzo. Tirei a carta nos anos 90, mas nunca tive dinheiro para comprar um carro (e manter).
V - Não gosto de cozinhar.
VI - Também não gosto de limpar a casa.
VII - Sou adepta dos modos suaves. Adoro andar de comboio e caminhar sem rumo pela cidade. Já fui de Entrecampos até à Pampulha; da Rua do Arco do Carvalhão, por trás da ETAR, junto à Avenida de Ceuta, subi até Campo de Ourique. O normal é andar das Amoreiras até à Politécnica, descendo a Rua do Sol ao Rato. Também fui de Xabregas até aos Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais e regressei. Tinha tempo de sobra até à peça no Teatro Ibérico.
Então, aqui estão sete coisas sobre mim:
I - Adoro gatos (tenho quatro), mas o único gato de quatro patas que dorme comigo é mesmo este:
II - No dia do fim do mundo, ofereceram-me esta capa felina. Safou-me do cataclismo. O próprio susto teve medo e deu meia volta.
III - Tenho um péssimo sentido de orientação. Já me perdi muitas vezes em cidades que conheço pela primeira vez. Por outras palavras, não sei ler um mapa.
IV - Não conduzo. Tirei a carta nos anos 90, mas nunca tive dinheiro para comprar um carro (e manter).
V - Não gosto de cozinhar.
VI - Também não gosto de limpar a casa.
VII - Sou adepta dos modos suaves. Adoro andar de comboio e caminhar sem rumo pela cidade. Já fui de Entrecampos até à Pampulha; da Rua do Arco do Carvalhão, por trás da ETAR, junto à Avenida de Ceuta, subi até Campo de Ourique. O normal é andar das Amoreiras até à Politécnica, descendo a Rua do Sol ao Rato. Também fui de Xabregas até aos Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais e regressei. Tinha tempo de sobra até à peça no Teatro Ibérico.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Plasticina, lagarta, formiga
Sou da geração que passava horas sentada em frente à televisão a ver os bonecos de plasticina checoslovacos - seriam mesmo checoslovacos ou seriam polacos, russos? E filmes de cobóis, devorava os filmes do Roy Rogers, aos sábados à tarde.
A preto e branco, eram assim as duas Grundigs que existiam, uma de caixa vermelha em nossa casa e outra verde azeitona em casa da avó, na aldeia. Era lá que eu e o meu irmão passávamos todas as férias até ao Natal dos meus onze anos.
Antes de irmos morar para Viseu, vivíamos num lugar ermo, longe de tudo, não havia quase nada para além das casas, um mini-mercado, a padaria da Dona Gena, a escola primária que nunca frequentei, porque fui para o magistério primário, mesmo em frente do trabalho da minha mãe, uma garagem, um parque infantil com uns baloiços e uma grande aranha de ferro que dava para fazer acrobacias e de onde me espetei cara no chão várias vezes. A paragem da camioneta, os cafés, as lojas, a igreja ficavam a uns dois quilómetros, palmilhados, então, de segunda a sexta e ao domingo, dia do senhor deus e de ida obrigatória à missa.
Dessa altura, o que mais me recordo, para além dos quilómetros caminhados, são das lagartas dos pinheiros, pois vivíamos bem perto deles, junto a um pinhal onde brincávamos, filas de lagartas no chão, e das borbulhas que eu apanhava por causa delas.
Também a casa da avó, na aldeia, ficava num outeiro, afastada do centro do povo e aí não havia mesmo nada, excepto uma pequenina capela. Os cafés, a loja que vendia de tudo um pouco, a igreja, a estação do caminho-de-ferro, o cemitério ficavam muito longe.
Havia liberdade para andar na aldeia, nos campos, no nosso pinhal, que ainda tínhamos umas terras nessa altura, e apanhávamos pinhas com que enchíamos sacos de serapilheira e depois colocávamos no carrinho-de-mão. Bem o tentávamos empurrar, mas éramos miúdos demais e isso ficava a cargo do meu tio até casa.
Havia doces maravilhosos, que a avó tinha uma mão para a doçaria e nunca mais comi uma geleia de marmelo ou um doce de abóbora como ela fazia, mesmo com formigas que subiam pelo frasco, se o deixassse aberto na mesa da cozinha. E dei voltas à cabeça até recordar de onde tinha lido sobre formigas, sim, foi em 'No Meu Peito Não Cabem Pássaros', e se há algo que me prendeu a este livro, para além da escrita maravilhosa, foi a avó [a minha avó não foi exactamente uma avó como a descrita nem existiam antepassados famosos, com excepção, tavez, do Capitão L., segundo a placa que está na parede do cemitério e das inúmeras ruas com esse nome por este Portugal fora (mas julgo que não é do meu ramo da família, mas de outro, bem, parente afastado, assim sendo)].
'As formigas do Verão: São as formigas que trazem o Verão para casa. Dividem-no em partes muito pequenas e carregam-no às costas por caminhos só delas. Quando chegam, vão até à cozinha e descarregam-no nos doces e na fruta. O Verão é doce porque está nas coisas doces, mas às vezes é também amargo porque se trincam as formigas' - No Meu Peito Não Cabem Pássaros, Nuno Camarneiro.
Havia uma lareira na cozinha e o resto da casa da avó era gelado no inverno e a braseira circulava inúmeras vezes da cozinha para a sala, onde era depositada em lugar próprio, no suporte debaixo da grande mesa redonda, que se tapava com uma linda toalha azul e depois com outra de renda, feita pela avó, e lá ficávamos, à sua volta, nas longas tardes invernosas, chuvosas e frias, não só a ver televisão, eu e o meu irmão, e muitas vezes um casal de irmãos da casa da frente, que tinham mais ou menos a nossa idade, mas também a jogar ludo, muito ludo foi jogado naqueles tempos, às cartas, a ler o pato donald, o tex e a queimar a ponta das meias grossas, porque aproximávamos os pés das brasas ainda incandescentes.
Por essa altura, os desenhos animados japoneses eram (e ainda são) os meus preferidos. 'Conan, o rapaz do futuro', 'As aventuras de Tom Sawyer', 'Belle e Sebastião' são alguns desses exemplos.
Hoje em dia, o gosto por este género de desenhos animados permanece, claro, e se não revejo estas séries é porque tiveram um momento próprio, dos cinco, seis anos, até aos doze, treze.
Estando a terminar a década dos trinta anos, todavia, não deixo de gostar de desenhos animados, sendo um dos meus filmes favoritos 'O Castelo Andante'. Anda por casa há anos o dvd em japonês, muito melhor que a versão encontrada no vídeo colocado.
A preto e branco, eram assim as duas Grundigs que existiam, uma de caixa vermelha em nossa casa e outra verde azeitona em casa da avó, na aldeia. Era lá que eu e o meu irmão passávamos todas as férias até ao Natal dos meus onze anos.
Antes de irmos morar para Viseu, vivíamos num lugar ermo, longe de tudo, não havia quase nada para além das casas, um mini-mercado, a padaria da Dona Gena, a escola primária que nunca frequentei, porque fui para o magistério primário, mesmo em frente do trabalho da minha mãe, uma garagem, um parque infantil com uns baloiços e uma grande aranha de ferro que dava para fazer acrobacias e de onde me espetei cara no chão várias vezes. A paragem da camioneta, os cafés, as lojas, a igreja ficavam a uns dois quilómetros, palmilhados, então, de segunda a sexta e ao domingo, dia do senhor deus e de ida obrigatória à missa.
Dessa altura, o que mais me recordo, para além dos quilómetros caminhados, são das lagartas dos pinheiros, pois vivíamos bem perto deles, junto a um pinhal onde brincávamos, filas de lagartas no chão, e das borbulhas que eu apanhava por causa delas.
Também a casa da avó, na aldeia, ficava num outeiro, afastada do centro do povo e aí não havia mesmo nada, excepto uma pequenina capela. Os cafés, a loja que vendia de tudo um pouco, a igreja, a estação do caminho-de-ferro, o cemitério ficavam muito longe.
Havia liberdade para andar na aldeia, nos campos, no nosso pinhal, que ainda tínhamos umas terras nessa altura, e apanhávamos pinhas com que enchíamos sacos de serapilheira e depois colocávamos no carrinho-de-mão. Bem o tentávamos empurrar, mas éramos miúdos demais e isso ficava a cargo do meu tio até casa.
Havia doces maravilhosos, que a avó tinha uma mão para a doçaria e nunca mais comi uma geleia de marmelo ou um doce de abóbora como ela fazia, mesmo com formigas que subiam pelo frasco, se o deixassse aberto na mesa da cozinha. E dei voltas à cabeça até recordar de onde tinha lido sobre formigas, sim, foi em 'No Meu Peito Não Cabem Pássaros', e se há algo que me prendeu a este livro, para além da escrita maravilhosa, foi a avó [a minha avó não foi exactamente uma avó como a descrita nem existiam antepassados famosos, com excepção, tavez, do Capitão L., segundo a placa que está na parede do cemitério e das inúmeras ruas com esse nome por este Portugal fora (mas julgo que não é do meu ramo da família, mas de outro, bem, parente afastado, assim sendo)].
'As formigas do Verão: São as formigas que trazem o Verão para casa. Dividem-no em partes muito pequenas e carregam-no às costas por caminhos só delas. Quando chegam, vão até à cozinha e descarregam-no nos doces e na fruta. O Verão é doce porque está nas coisas doces, mas às vezes é também amargo porque se trincam as formigas' - No Meu Peito Não Cabem Pássaros, Nuno Camarneiro.
Havia uma lareira na cozinha e o resto da casa da avó era gelado no inverno e a braseira circulava inúmeras vezes da cozinha para a sala, onde era depositada em lugar próprio, no suporte debaixo da grande mesa redonda, que se tapava com uma linda toalha azul e depois com outra de renda, feita pela avó, e lá ficávamos, à sua volta, nas longas tardes invernosas, chuvosas e frias, não só a ver televisão, eu e o meu irmão, e muitas vezes um casal de irmãos da casa da frente, que tinham mais ou menos a nossa idade, mas também a jogar ludo, muito ludo foi jogado naqueles tempos, às cartas, a ler o pato donald, o tex e a queimar a ponta das meias grossas, porque aproximávamos os pés das brasas ainda incandescentes.
Por essa altura, os desenhos animados japoneses eram (e ainda são) os meus preferidos. 'Conan, o rapaz do futuro', 'As aventuras de Tom Sawyer', 'Belle e Sebastião' são alguns desses exemplos.
Hoje em dia, o gosto por este género de desenhos animados permanece, claro, e se não revejo estas séries é porque tiveram um momento próprio, dos cinco, seis anos, até aos doze, treze.
Estando a terminar a década dos trinta anos, todavia, não deixo de gostar de desenhos animados, sendo um dos meus filmes favoritos 'O Castelo Andante'. Anda por casa há anos o dvd em japonês, muito melhor que a versão encontrada no vídeo colocado.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Um ano depois
É altura de remodelar o blogue. Os gatos aspiram o chão e eu pinto as paredes. Novas cores, o violeta é uma das minhas preferidas. Ajeitam-se as prateleiras, arquivam-se os assuntos com jeitinho e apruma-se, então, este canto para mais um ano.
O primeiro post que publiquei foi o vídeo dos Queen 'Don't stop me now' e não sabendo que nome escolher, escolhi o 'sem nome'. O pinguim comentou-o, claro.
A opção de imediato tomada foi não me esconder atrás de um nome fictício e agregar o blogue ao correio electrónico pessoal, mas usado há alguns anos. Por outro lado, também é verdade que não o divulguei. Ninguém sabe, nem amigos, nem colegas de trabalho, nem familiares. Se alguém o conhece, nunca mo comunicou e entra mudo e sai calado (por norma, os anónimos não comentam).
A opção de imediato tomada foi não me esconder atrás de um nome fictício e agregar o blogue ao correio electrónico pessoal, mas usado há alguns anos. Por outro lado, também é verdade que não o divulguei. Ninguém sabe, nem amigos, nem colegas de trabalho, nem familiares. Se alguém o conhece, nunca mo comunicou e entra mudo e sai calado (por norma, os anónimos não comentam).
Fui desvendando, aos poucos, a minha vida, quando senti que estava mais à vontade. De posts sobre livros, gatos, músicas, reivindicações, manifestações (ainda hoje não entro no pingo doce), comecei a referir a família (com excepção de um dos primeiros posts sobre a minha irmã, que faz anos a 15 de janeiro), um irmão, um sobrinho, doença. Foram imensos os posts lamurientos em outubro.
Outros assuntos, no entanto, ficam omissos, comentei-os, mas ao de leve, são realizações muito especiais e reservo-as para mim, para já.
2013 é um ano de viragem, para pior, certamente. A altura não é fácil, mas vou tentar encontrar momentos de paz e serenidade que me darão forças para enfrentar as adversidades.
Para terminar, se no início tive necessidade de escrever todos os dias, várias vezes, até, a partir deste ano, os posts serão mais espaçados, de dois em dois dias, de três em três; se se justificar, publicarei diariamente, mas será a excepção e não a regra.
Se comecei este post com um gif do meu animal favorito, termino com o meu poeta do coração (publiquei-o no dia 19 de junho, mas é tão bonito que repito) e obrigada pela vossa presença.
Para terminar, se no início tive necessidade de escrever todos os dias, várias vezes, até, a partir deste ano, os posts serão mais espaçados, de dois em dois dias, de três em três; se se justificar, publicarei diariamente, mas será a excepção e não a regra.
Se comecei este post com um gif do meu animal favorito, termino com o meu poeta do coração (publiquei-o no dia 19 de junho, mas é tão bonito que repito) e obrigada pela vossa presença.
Acontecimento
Aí estás tu à esquina das palavras de
sempre
amor inventado numa indústria de
lábios
que mordem o tempo sempre cá
E o coração acontece-nos
como uma dádiva de folhas nupciais
nos nossos ombros de outono
Caiam agora pálpebras que cerrem
o sacrifício que em nossos gestos há
de sermos diários por fora
Caiam agora
que o amor chegou
Ruy Belo,
Todos os Poemas, Aquele Grande Rio Eufrates, Círculo de Leitores, 2000
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O primo alemão bate à porta
Chegar à porta de casa e reparar que não tem as chaves. Descer três andares, porque deixou-as penduradas na caixa do correio. Ir à cozinha com a garrafa de meio litro para encher de água, poisar na bancada, porque olha para a Batá e regressa à sala. Chega a sentar-se, a enroscar-se, até que se lembra onde raio deixou a garrafa. Tira a roupa da corda, pensa em outra coisa qualquer e esquece metade da roupa pendurada na corda. Coloca a cafeteira ao lume para fazer cevada, até que se lembra, dois minutos depois, que se esqueceu de a encher de água.
De momento, ainda me lembro do nome dos gatos, da tartaruga, do número do BI, NIF, telemóvel e da data de nascimento. Quando me esquecer deles, estou tramada.
De momento, ainda me lembro do nome dos gatos, da tartaruga, do número do BI, NIF, telemóvel e da data de nascimento. Quando me esquecer deles, estou tramada.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Regresso ao passado
A franja está pelo nariz, o cabelo pelos ombros e tenho 58 kgs. Regressei aos 17 anos.
Em 1990, era uma das canções em voga.
Em 1990, era uma das canções em voga.
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