Depois de visitar a Cava do Viriato, voltei para trás e segui, novamente, até à Ribeira.
Aqui está uma fotografia. Fiz batota. É uma foto do dia seguinte, sexta-feira (Viseu é tão pequena que desci o centro histórico e vim aqui parar, antes do almoço). O céu está com mais nuvens, ao contrário do azul brilhante de quinta, mas para manter a sequência da passeata, e como não tirei fotografias do Rio Pavia no dia anterior, decidi colocá-la. Ao lado, encontra-se um pequeno jardim; é um sítio belo, sereno, renovado, que não existia no meu tempo de miúda, mesmo ao lado do local onde se realiza anualmente a Feira de S. Mateus.
Olho para esta fotografia e penso que tenho imensa sorte por poder redescobrir a cidade que me viu crescer e que não apreciei devidamente em adolescente.
Mantendo-me nesta parte da cidade, fui caminhando rua acima até à Porta dos Cavaleiros.
É uma das primitivas entradas do burgo medieval. Sobre o arco repousa um nicho albergando uma imagem do século XVIII representativa de N. Sr.ª da Graça. (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui).
Um pouco acima da Porta dos Cavaleiros, e continuando na avenida, no Largo Mouzinho de Albuquerque existe o Teatro Viriato (com muita pena, ainda não o visitei) e, entre outros edifícios, a Escola Secundária Emídio Navarro, onde estudei do 7.º ao 9.º anos, isto é, entrei com 12 e saí com 15 anos, para outra escola secundária, porque não tinha a área D, Estudos Humanísticos. Não tirei fotografias, mas encontram mais explicações no site da C.M. de Viseu, aqui.
Foi, então, nesta zona da cidade que entrei na Rua Direita. O cheiro das drogarias foi o que mais me impressionou, levando um momento a habituar-me, bem como a uma certa claustrofobia. A rua é estreita, cinzenta, antiquíssima, buliçosa.
No interior das muralhas medievais, esta rua, a meia encosta, era "o caminho mais directo para a cidadela". Estreita e sinuosa, contrariando o seu nome, a Rua Direita tinha grande actividade comercial, sendo conhecida por "Rua das Tendas". Possui vários edifícios interessantes, dos séculos XVI e XVIII, sendo o mais notável desta época o Solar dos Treixedos. A Rua Direita é um bom exemplo de adaptação com intervenção municipal. Transformada em via pedonal há vários anos, ali se experimentaram novos pavimentos, sinalética, iluminação pública, etc., para melhorar o conforto e preservar a vitalidade, que continua forte (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui).
Finalmente, cheguei ao Adro da Sé. Fui caminhando devagar, subindo a Rua do Comércio (para mais informações, consultar o site da C.M. de Viseu, aqui), que era a rua onde eu comprava as revistas disney em segunda mão, ou trocava. Também existia a Casa do Povo, onde tive aulas de música, quando eu pensava que tinha jeito para isso, mas foi sol de pouca dura.
A Sé Catedral, entendida no seu todo, revela-se como um harmonioso conjunto, resultado de sucessivas intervenções de diferentes construtores, que na estrutura da igreja deixaram as marcas do seu tempo. A base arquitectónica da Catedral remonta aos séculos XIII-XIV, em estilo Românico-Gótico, tendo-se arrastado a construção por vários séculos. A sua estrutura de planta latina, cujos muros dos braços desiguais ainda subsistem, sustentados por robustos contrafortes, traduz essa linguagem, de um românico tardio e evocativo. Numa das mais "compostas" praças de Portugal, impõe-se a fachada principal, onde se pode ler o vocabulário românico na Antiga Torre do Cartório, hoje Torre do Relógio, A outra torre, chamada Torre dos Sinos, adjacente ao Museu de Grão Vasco, é apenas uma evocação desse tempo, uma reedificação que substitui a inicial, que ruiu devido a um forte temporal em Fevereiro de 1635. O corpo central da fachada que hoje se pode contemplar (substitui frontispício manuelino que existiu até 1635), é fruto do labor do arquitecto João Moreno, cujo nome está ligado à cidade de Salamanca. A linguagem arquitectónica utilizada tem inspiração nos retábulos maneiristas, de vocabulário sóbrio e equilibrado, dividida que está a fachada em três registos horizontais, onde se rasgam seis nichos que albergam as imagens dos quatro Evangelistas, de S. Teotónio (ao centro) e no registo superior, a imagem de Nossa Senhora da Assunção. (extracto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui, aconselhando-se uma leitura aprofundada, dado o interesse da descrição).
Contíguo à catedral, do lado norte, fica um majestoso edifício em granito, o antigo Paço dos Três Escalões, actualmente Museu de Grão Vasco. A sua principal colecção é constituída por um conjunto notável de pinturas de retábulo, proveniente da Catedral e de igrejas da região, da autoria de Vasco Fernandes (c 1475 - 1542), o Grão Vasco. (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui, aconselhando-se uma leitura aprofundada, por incluir preços e horário de funcionamento).
Em frente à Sé, encontra-se a Igreja da Misericórdia, tendo como data provável de construção 1510. Igreja de beleza faustosa, enquadra o lado poente da praça que se estende a seus pés. Esta obra parece assumir o espírito da arquitectura do século XVIII, onde se verifica um forte ecletismo e, apesar da predominância do estilo Rocaille, transparece a arquitectura chã. Desenvolvida num registo horizontal, a fachada da Misericórdia apresenta um corpo central que se impõe, de maior altura, rematado por um frontão ondulante, coroado este por uma cruz; o desenho do frontão é acompanhado pela empenha que enquadra as armas reais. (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui).

