domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
O Quarteto de Alexandria, Kavafis
Estou no penúltimo capitulo de 'O Quarteto de Alexandria', de Lawrence Durrell. De acordo com o Goodreads, comecei a lê-lo no dia 26 de Maio. Segundo o meu Kobo, li 93% e falta-me pouco mais de uma hora para o terminar.
Na verdade, são quatro livros aqui reunidos: 'Justine', 'Balthazar', 'Mountolive' e 'Clea'. Isto quer dizer que muito em breve irei despedir-me de Darley, o narrador/escritor destas extraordinárias histórias e de Alexandria.
Justine e o seu marido Nessim Hosnani, David Mountolive, Clea, Balthazar, Melissa, Darley, já referido, e outras personagens (Scobie, louco e adorável e adorado, posteriormente), o estranho irmão de Nessim, de lábio leporino, Narouz, a mãe deles, Leila, Pombal, o escritor Pursewarden. Como pano de fundo, as tensões políticas e religiosas, a Segunda Guerra Mundial, amores, homossexualidade, erotismo e o poeta Kavafis.
Nesta obra-prima descobri o poeta grego Kavafis e consegui encontrar na livraria 'letra livre', ao fundo da Calçada do Combro, uma colectânea de seus poemas e prosas.
domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
Velha sabedoria
'Os que vão para fora e regressam não se sentem melhor por terem ido à aventura, bem pelo contrário, enganam-se, porque não perceberam a velha sabedoria de que não é possível fugir de si próprio.'
Henning Mankell, A Leoa Branca, p. 288.
Henning Mankell, A Leoa Branca, p. 288.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Intervalo
Naquela sala, fazia os
deveres, sentada numa cadeira de rodas de madeira. A secretária era de madeira
escura, com três gavetas. De vez em quando, no meio de uma tabuada, girava o
corpo. Todos os dias havia uma tabuada. Engraçou na dos sete, por se lembrar da
brincadeira ‘sete e sete são catorze, com mais sete vinte e um, sete macacos…’
Levantou um pouco a cabeça quando a campainha tocou. Três e meia. Intervalo da
tarde. Tinha aulas de manhã ali em frente, no Magistério Primário. Não, naquela
altura, já não se chamava Magistério Primário, mas hoje ainda ainda usa essas
palavras. Ali, estudou da primeira à quarta classe. Foram cinco anos, contando
com a pré-primária.
Achou que, tal como os
outros meninos, merecia um descanso. Abandonou a secretária, disse à D.
Elizete, a mãe estava noutra parte do Laboratório, que ia para o jardim. A D.
Elizete ocupava um grande espaço atrás da secretária em frente à sua, era uma
senhora gorda dentro de uma bata branca e tinha uns óculos redondos e grandes,
que lhe ocupavam grande parte do seu rosto corado. Ela acenou com a cabeça,
sorriu e voltou ao mapa enrolado no carreto da máquina de escrever Mesa. A
alcatifa cor de rato abafou os seus passos, mas caminhava devagar, consciente de
que era o serviço da mãe, não podia fazer barulho, e na sala em frente estavam
os seus chefes. Os dois médicos veterinários apanharam-na um dia na cave do
Laboratório, sítio proibido, que cheirava a clorofórmio ou parecido. Faziam as
autópsias ali. Ficou assustada com os olhares deles, mais do que com as suas vozes,
ao ordenarem que subisse e nunca mais ali fosse.
Assim, passou em frente
da sala deles, desceu as escadas, deslizou pela porta de vai-vem, desceu os degraus
de granito e virou à direita. Ouvia as crianças a gritarem. Gritos,
risos, que ecoavam do alto, por entre as frondosas tílias, e começou a falar
sozinha. Encostou-se ao muro de tijolos cor-de-laranja e espreitou para a rua.
Os carros passavam, as vozes chegavam, agudas, e ela respondia que estava ali e
que queria brincar com eles. Afastou-se, insatisfeita, virou-se para os
canteiros e agarrou numa flor. ‘O teu pai é careca?’, murmurou. Depois, soprou.
O suave algodão soltou-se. Desconhecia que era um dente-de-leão. Para sempre,
até hoje, é ‘o-teu-pai-é-careca’.
Baixou-se, agarrou numa
pedra e desenhou uma macaca. Um quadrado, outro, mais dois lado a lado, mais
outro… Numerou-os, atirou a pedra para o quadrado número um e, ao pé-coxinho, o
pé esquerdo no chão, a perna direita encolhida, começou o jogo.
A mãe surgiu na entrada,
deu-lhe um pão com marmelada embrulhado num saquinho de pano, como um envelope,
e uma garrafa de sumo de laranja, verde escura com letras brancas gravadas no
vidro, já aberta. A carica?, lembra-se de perguntar. A mãe enfiou a mão no bolso
da bata, tirou-a e depositou-a no bolso do peitilho das jardineiras. Tinha as
mãos ocupadas, a boca cheia com pão, mas quando queria agradecer já a mãe voltara
para dentro.
Sentou-se no banco de madeira, balançando os pés, enquanto mastigava o pão com marmelada e bebia goles de laranjada. Quando acabou, poisou o envelope do lanche e a
garrafa no banco, sacudiu as migalhas e tirou a carica do bolso. Procurou a
pedra, apagou a macaca do chão e desenhou uma pista comprida e curva como uma
cobra. Escreveu a palavra partida numa ponta e meta na outra e colocou a carica
no início. Ajoelhou-se, o polegar segurou o dedo indicador, largou-o e a carica
deslizou na terra batida. ‘Ali vai ela, em primeiro lugar, uma curva apertada,
uma rasante, mas conseguiu! Ganhou! Ganhou!’
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
domingo, 17 de agosto de 2014
Viseu VI
Há uns dias, no âmbito destes pequenos textos sobre Viseu, mencionei que gostaria de trabalhar num local. Pois chega a hora de vos mostrar: é a Casa do Miradouro. A Casa do Miradouro, requalificada pela Câmara Municipal de Viseu, é um palácio quinhentista e alberga a colecção arqueológica 'Dr. José Coelho, A Paixão pelo Passado' (aconselha-se a visita à página da C.M. de Viseu, aqui).
Esta exposição pretende revelar o importante legado de um dos percursores da arqueologia de Viseu e está patente em três salas. A primeira sala é dedicada à sua vida e obra: Dr. José Coelho, Vivências e Percursos, mostrando um espaço intimista, humano, sentido. A segunda sala é denominada As escavações arqueológicas: o cuidado com o pormenor, dando-se a conhecer as principais intervenções arqueológicas efectuadas pelo arqueólogo e explica-se como estas foram determinantes para o estudo da pré e proto-história da região. Na sala 3, expõe-se um vasto conjunto de peças arqueológicas, algumas por ele encontradas, outras oferecidas, que reflectem, sobretudo, uma tremenda curiosidade e uma atenção permanente a tudo e a todos os que o rodeavam.
Este espaço pertence à C.M. de Viseu, estando integrado na rede municipal de museus (este é um texto adaptado do folheto da exposição). Aconselha-se a leitura das páginas dedicadas a esta exposição no site da C.M. de Viseu, aqui.
No jardim da Casa do Miradouro, fui recebida por um simpático gato preto. Vénia, bichano :)
Apresentam-se algumas fotos da exposição e da vista da varanda. Por alguma razão se denomina Casa do Miradouro. Não é um local de sonho para trabalhar? ;)
Antes da exposição, patente no primeiro andar, junto às escadas, recebe-nos esta lápide evocativa:
Lápide evocatia: lápide com inscrição latina primitivamente colocada numa das portas da cerca gótica (século XV) da cidade de Viseu, que foram demolidas entre finais do século XIX e inícios do século XX.
A lápide evoca a proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira do reino de Portugal, após a Restauração da Independência, por iniciativa de D. João IV nas cortes de Lisboa de 1646.
A lápide recorda-nos a luta de José Coelho pela preservação das portas e troços da muralha da cidade, atestada em numerosos textos publicados até 1950 (excerto do texto informativo).
Desafio-vos a conhecerem a minha cidade e esta magnífica Casa do Miradouro.
Esta exposição pretende revelar o importante legado de um dos percursores da arqueologia de Viseu e está patente em três salas. A primeira sala é dedicada à sua vida e obra: Dr. José Coelho, Vivências e Percursos, mostrando um espaço intimista, humano, sentido. A segunda sala é denominada As escavações arqueológicas: o cuidado com o pormenor, dando-se a conhecer as principais intervenções arqueológicas efectuadas pelo arqueólogo e explica-se como estas foram determinantes para o estudo da pré e proto-história da região. Na sala 3, expõe-se um vasto conjunto de peças arqueológicas, algumas por ele encontradas, outras oferecidas, que reflectem, sobretudo, uma tremenda curiosidade e uma atenção permanente a tudo e a todos os que o rodeavam.
Este espaço pertence à C.M. de Viseu, estando integrado na rede municipal de museus (este é um texto adaptado do folheto da exposição). Aconselha-se a leitura das páginas dedicadas a esta exposição no site da C.M. de Viseu, aqui.
No jardim da Casa do Miradouro, fui recebida por um simpático gato preto. Vénia, bichano :)
Apresentam-se algumas fotos da exposição e da vista da varanda. Por alguma razão se denomina Casa do Miradouro. Não é um local de sonho para trabalhar? ;)
Antes da exposição, patente no primeiro andar, junto às escadas, recebe-nos esta lápide evocativa:
Lápide evocatia: lápide com inscrição latina primitivamente colocada numa das portas da cerca gótica (século XV) da cidade de Viseu, que foram demolidas entre finais do século XIX e inícios do século XX.
A lápide evoca a proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira do reino de Portugal, após a Restauração da Independência, por iniciativa de D. João IV nas cortes de Lisboa de 1646.
A lápide recorda-nos a luta de José Coelho pela preservação das portas e troços da muralha da cidade, atestada em numerosos textos publicados até 1950 (excerto do texto informativo).
Desafio-vos a conhecerem a minha cidade e esta magnífica Casa do Miradouro.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Viseu V
Quero regressar à minha cidade. Desde há duas semanas que desejo isso. Cada vez mais. É uma ideia que está a criar raízes. Implica uma grande mudança na minha vida, sem dúvida. Uma coisa é ir de férias, outra é mudar-me de vez. Aos dezoito anos, o que ansiava mais era sair de lá. Fi-lo, não sem custo. Era muito ligada à minha mãe e os primeiros anos foram difíceis. Depois, acostumei-me a Lisboa, ao bulício, às multidões, adoro Lisboa. Mas eu não vivo em Lisboa. Diabo, nem sequer trabalho em Lisboa. Para chegar ao meu serviço, demoro mais de uma hora. Isto é, a contar da hora em que saio de casa, 7:05. Marco o cartão do relógio de ponto às 8:25 (mais ou menos, se não houver trânsito na A5). Que qualidade de vida é esta? Passo o tempo em transportes. Chego a casa depois das 7 da noite, isto quando não fico por Lisboa para um programa, cada vez mais raro. No dia seguinte, o despertar é antes das 6.
Estou cansada. Escolhi esta terra, Seixal, por a minha mãe aqui viver depois de vender a casa de Viseu. Mas, com excepção de uns familiares chegados, nada me liga ao Seixal. É bonita, calma, mas é só isso (e nem vivo no Seixal, a minha freguesia é a Arrentela).
Mudar-me para Viseu implica pedir a mobilidade para um serviço de lá. Sou funcionária pública, da administração central, pelo que teria de enviar uma candidatura espontânea (ou concorrer a um pedido de mobilidade, se tal for publicado no Diário da República, como fiz para o actual serviço onde estou, há cinco anos). Esse será o primeiro passo. Não sei se demorará muito ou pouco tempo. Não faço a mínima ideia, de facto. Parece que todos os pedidos têm de ter o aval da Direcção-Geral do Orçamento, embora não haja verba extra, apenas mudança de orçamento de Ministério. Se encontrar trabalho, o segundo passo será colocar esta casa no mercado de arrendamento. Conversei com a minha irmã. Foi a única pessoa com quem falei mais a sério. Aconselhou-me a arrendar a casa e não a vender. Desde que comprei esta casa, ela mudou cinco vezes de casa, sempre arrendada. Eu conseguiria arrendar o andar mobilado por 350 €. O mesmo valor de um apartamento T2 mobilado, como o meu, no centro da cidade de Viseu. Melhor seria se encontrasse um trabalho ao lado de casa :)
Claro que só conheço o centro de Viseu. As novas urbanizações são-me totalmente desconhecidas. Há novas ruas que nem no Google Earth consigo visualizar. Nunca lá passei. E essa zona já é cidade. Tudo cresceu. Mas o centro ficou igual, a minha cidade renovou-se. Certamente que há prédios que precisam de obras, e muitos, o antigo trabalho da minha mãe está fechado há anos e fica numa rua central da cidade. Um enorme casarão, com jardim, estacionamento, cave, primeiro andar e sótão. Lindo, sóbrio e abandonado. Fechado. Não sei se pertence à Câmara se a privados. Enfim, foi um aperto no coração quando passei por lá.
Apesar disto, Viseu é uma cidade jovem, linda, verdejante, rica em cultura, história. E Lisboa, de tanta oferta, uma pessoa dispersa-se e acaba por não ver grande coisa. E eu também não desejo muita coisa: um teatro, uns museus, passeios, enfim, o normal.
Eu sou uma pessoa sossegada, quero paz, qualidade de vida, respirar ar puro e voltar às minhas raízes, pois sei que a minha vida não é aqui.
Será 2015 um ano de mudança?
Estou cansada. Escolhi esta terra, Seixal, por a minha mãe aqui viver depois de vender a casa de Viseu. Mas, com excepção de uns familiares chegados, nada me liga ao Seixal. É bonita, calma, mas é só isso (e nem vivo no Seixal, a minha freguesia é a Arrentela).
Mudar-me para Viseu implica pedir a mobilidade para um serviço de lá. Sou funcionária pública, da administração central, pelo que teria de enviar uma candidatura espontânea (ou concorrer a um pedido de mobilidade, se tal for publicado no Diário da República, como fiz para o actual serviço onde estou, há cinco anos). Esse será o primeiro passo. Não sei se demorará muito ou pouco tempo. Não faço a mínima ideia, de facto. Parece que todos os pedidos têm de ter o aval da Direcção-Geral do Orçamento, embora não haja verba extra, apenas mudança de orçamento de Ministério. Se encontrar trabalho, o segundo passo será colocar esta casa no mercado de arrendamento. Conversei com a minha irmã. Foi a única pessoa com quem falei mais a sério. Aconselhou-me a arrendar a casa e não a vender. Desde que comprei esta casa, ela mudou cinco vezes de casa, sempre arrendada. Eu conseguiria arrendar o andar mobilado por 350 €. O mesmo valor de um apartamento T2 mobilado, como o meu, no centro da cidade de Viseu. Melhor seria se encontrasse um trabalho ao lado de casa :)
Claro que só conheço o centro de Viseu. As novas urbanizações são-me totalmente desconhecidas. Há novas ruas que nem no Google Earth consigo visualizar. Nunca lá passei. E essa zona já é cidade. Tudo cresceu. Mas o centro ficou igual, a minha cidade renovou-se. Certamente que há prédios que precisam de obras, e muitos, o antigo trabalho da minha mãe está fechado há anos e fica numa rua central da cidade. Um enorme casarão, com jardim, estacionamento, cave, primeiro andar e sótão. Lindo, sóbrio e abandonado. Fechado. Não sei se pertence à Câmara se a privados. Enfim, foi um aperto no coração quando passei por lá.
Apesar disto, Viseu é uma cidade jovem, linda, verdejante, rica em cultura, história. E Lisboa, de tanta oferta, uma pessoa dispersa-se e acaba por não ver grande coisa. E eu também não desejo muita coisa: um teatro, uns museus, passeios, enfim, o normal.
Eu sou uma pessoa sossegada, quero paz, qualidade de vida, respirar ar puro e voltar às minhas raízes, pois sei que a minha vida não é aqui.
Será 2015 um ano de mudança?
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Such a perfect day
O dia corre devagar. Não há planos. Passei a manhã a ler 'Manhattan Transfer'. O César acompanha-me, as gatas preferem a poltrona.
Almoço: massa com atum, abóbora e courgette. Não sou grande cozinheira, mas não morro de fome. Para a sobremesa, um batido de maçã.
À tarde, cinema. Estreia aqui no centro comercial o novo filme da Helen Mirren, 'A Viagem dos Cem Passos'. Vi a apresentação. Gostei.
Deslizam de mansinho estes últimos dias de férias. Oficialmente, hoje é o último. Para a semana, recomeço a labuta.
Almoço: massa com atum, abóbora e courgette. Não sou grande cozinheira, mas não morro de fome. Para a sobremesa, um batido de maçã.
À tarde, cinema. Estreia aqui no centro comercial o novo filme da Helen Mirren, 'A Viagem dos Cem Passos'. Vi a apresentação. Gostei.
Deslizam de mansinho estes últimos dias de férias. Oficialmente, hoje é o último. Para a semana, recomeço a labuta.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
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