sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Coimbra doce
Ontem foi assim. Regressei a Coimbra. Não pensei que fosse tão cedo, depois da viagem do passado domingo. Desta vez, em trabalho. O intercidades deixou-me em Coimbra-b às 11:30, fui almoçar com o Miguel e, como sobremesa, o melhor crepe doce do universo e arredores. E se alguém tiver dúvidas, é só tirar teimas no 'Napolitano'. Já estou a salivar...
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
41-II
Uma semana depois, ofereceram-me mais um presente de aniversário: o último do Haruki Murakami..
Eu cá não me importo nada de fazer anos :)
terça-feira, 7 de outubro de 2014
O pôr-do sol em quiaios é termos sido felizes
LITERATURA EXPLICATIVA
O pôr-do-sol em espinho não é o pôr-do-sol
nem mesmo o pôr-do-sol é bem o pôr-do-sol
É não morrermos mais é irmos de mãos dadas
com alguém ou com nós mesmos anos antes
é lermos leibniz conviver com os medicis
onze quilómetros ao sul de florença
sobre restos de inquietação visível em bilhetes de eléctrico
Há quanto tempo se põe o sol em espinho?
Terão visto este sol os liberais no mar
ou antero de junto da ermida?
O sol que aqui se põe onde nasce? A quem
passamos este sol? Quem se levanta onde nos deitamos?
O pôr-do-sol em espinho é termos sido felizes
é sentir como nosso o braço esquerdo
Ou melhor: é não haver mais nada mais ninguém
mulheres recortadas nas vidraças
oliveiras à chuva homens a trabalhar
coisas todas as coisas deixadas a si mesmas
Não mais restos de vozes solidão dos vidros
não mais os homens coisas que pensam coisas sozinhas
não mais o pôr-do-sol apenas pôr-do-sol
Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
"Viseu com Z®" - o filme
"Viseu com Z®" é um projecto de carácter histórico, cultural e patrimonial, incentivando a preservação do património, aprendizagem da história e o enriquecimento da cultura. Destina-se a recordar o passado da cidade, não esquecendo o presente. Tem uma página no facebook e produziu este interessante filme (embora amador), que compila fotos e um filme bastante antigo, bem como canções dedicadas à "Senhora da Beira".
O filme tem 54 minutos e aos 28'15'' aparece o comboio e a estação de Viseu, que já não existe. Apresenta um excerto muito curtinho do filme antigo e algumas fotos, e era aí que eu apanhava a automotora para a aldeia da minha avó. O meu avô Baltazar, pai da minha mãe, foi chefe-de-estação e eu guardo boas, belíssimas memórias das viagens até à aldeia.
sábado, 4 de outubro de 2014
Estilo
'Luce chegou inclusivamente a analisar o estilo da minha prosa para ver se eu escrevia de um modo linear e masculino ou, pelo contrário, num estilo circular e feminino.' - p. 29.
Jeffrey Eugenides, Middlesex, Dom Quixote, 2004.
Jeffrey Eugenides, Middlesex, Dom Quixote, 2004.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Negócio fechado
A Companhia de Teatro de Almada e a Fundação Inatel ofereceram-me convites para a peça de David Mamet 'Negócio fechado', que estreou ontem e que se prolonga até 19 de Outubro, no Teatro da Trindade. Sala cheia, uma peça ácida, violenta, com diálogos recheados de palavrões, sobre vendedores de uma agência imobiliária que a todo o custo tentam vender lotes de terreno, serem os melhores sem olharem às consequências e ganharem o prémio, o Mercedes.
Os discursos são os de pessoas do dia-a-dia, recheados de asneiras, as personagens com falta de escrúpulos, manipuladoras, a competição sempre presente, e que tentam coagir os incautos clientes a comprarem os referidos lotes.
Um leque de excelentes actores, com destaque para Marques D'Arede e Pedro Lima.
Uma noite fantástica em Lisboa, o Verão chegou no Outono. :)
Os discursos são os de pessoas do dia-a-dia, recheados de asneiras, as personagens com falta de escrúpulos, manipuladoras, a competição sempre presente, e que tentam coagir os incautos clientes a comprarem os referidos lotes.
Um leque de excelentes actores, com destaque para Marques D'Arede e Pedro Lima.
Uma noite fantástica em Lisboa, o Verão chegou no Outono. :)
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Gata, livros, João Roque
Ontem, fui ao CCB assistir à peça 'Gata em Telhado de Zinco Quente', de Tennessee Williams, encenada por Jorge Silva Melo, dos Artistas Unidos.
Quem leu o post sobre os livros que mais me marcaram, encontra um livro que reúne quatro peças do dramaturgo norte-americano, entre as quais esta que referi. Gostei tanto de ler o livro emprestado que o comprei.
Hoje é o último dia de exibição no CCB. Depois, seguir-se-ão outras cidades; não percam. Uma nota final: 'A Gata' teve a sua estreia no Teatro Viriato, da minha cidade :) Não esqueçamos que esta peça é uma co-produção Artistas Unidos, Teatro Viriato, Fundação Centro Cultural de Belém e Teatro Nacional S. João. Mais uma vez, vão assistir, merece a pena, bons actores, uma excelente peça, um bom momento passado.
Aproveitei que estaria na companhia de um amigo e levei-lhe o livro que ganhou o Prémio Leya 2013, 'Uma Outra Voz', de Gabriela Ruivo Trindade. Ambos tínhamos lido um dos romances finalistas, 'O Pecado de Porto Negro', de Norberto Morais, uma excelente obra, e eu tive pena de não ter ganho, como referi aqui.
Por último, mas não menos importante: o amigo, claro está, é o João Roque, um grande Amigo, a maiúscula mais que merecida. Ele e uns amigos, que muitos de nós conhecemos, compraram os bilhetes há pouco tempo, enquanto eu o arranjei em finais de Maio, aproveitando a compra de um outro bilhete para uma peça no TMJB, em Almada.
Já respondi há que tempos que devo ao João Roque a existência deste blogue. E graças a ele, eu escrevi um livro, conheci pessoas extraordinárias e estive presente no sábado passado no jantar de comemoração do lançamento do livro do João 'Ilha de Metarica - memórias da guerra colonial'.
Neste último mês, estive com o João três vezes, em duas peças de teatro e no jantar, um excelente momento passado, que convivemos, trocámos livros, o Luís fez uma grande apresentação e o João falou sobre o livro, que teve a sua semente n''A tropa cá do João'.
Se eu estou aqui hoje a escrever isto, é graças ao João. O que li nos últimos anos, o conhecimento que adquiri, as pessoas que conheci, a ele o devo.
Quem leu o post sobre os livros que mais me marcaram, encontra um livro que reúne quatro peças do dramaturgo norte-americano, entre as quais esta que referi. Gostei tanto de ler o livro emprestado que o comprei.
Hoje é o último dia de exibição no CCB. Depois, seguir-se-ão outras cidades; não percam. Uma nota final: 'A Gata' teve a sua estreia no Teatro Viriato, da minha cidade :) Não esqueçamos que esta peça é uma co-produção Artistas Unidos, Teatro Viriato, Fundação Centro Cultural de Belém e Teatro Nacional S. João. Mais uma vez, vão assistir, merece a pena, bons actores, uma excelente peça, um bom momento passado.
Aproveitei que estaria na companhia de um amigo e levei-lhe o livro que ganhou o Prémio Leya 2013, 'Uma Outra Voz', de Gabriela Ruivo Trindade. Ambos tínhamos lido um dos romances finalistas, 'O Pecado de Porto Negro', de Norberto Morais, uma excelente obra, e eu tive pena de não ter ganho, como referi aqui.
Por último, mas não menos importante: o amigo, claro está, é o João Roque, um grande Amigo, a maiúscula mais que merecida. Ele e uns amigos, que muitos de nós conhecemos, compraram os bilhetes há pouco tempo, enquanto eu o arranjei em finais de Maio, aproveitando a compra de um outro bilhete para uma peça no TMJB, em Almada.
Já respondi há que tempos que devo ao João Roque a existência deste blogue. E graças a ele, eu escrevi um livro, conheci pessoas extraordinárias e estive presente no sábado passado no jantar de comemoração do lançamento do livro do João 'Ilha de Metarica - memórias da guerra colonial'.
Neste último mês, estive com o João três vezes, em duas peças de teatro e no jantar, um excelente momento passado, que convivemos, trocámos livros, o Luís fez uma grande apresentação e o João falou sobre o livro, que teve a sua semente n''A tropa cá do João'.
Se eu estou aqui hoje a escrever isto, é graças ao João. O que li nos últimos anos, o conhecimento que adquiri, as pessoas que conheci, a ele o devo.
domingo, 28 de setembro de 2014
Stoner
Comprei-o na sexta-feira, comecei a ler no comboio, de regresso a casa, e pelo Goodreads, recomendei-o a amigos, ainda poucas páginas tinha lido.
Em 1910, Stoner, filho de agricultores pobres, trabalhava na quinta de familiares enquanto tirava o curso de Agronomia, na Escola Agrária, na Universidade de Columbia. No segundo ano, frequenta a disciplina obrigatória de Literatura Inglesa e apaixona-se pela matéria, ao ponto de mudar de curso e licenciar-se em Letras, quatro anos depois. Morre em 1956, aos sessenta e cinco anos, de cancro.
Stoner é a história de um tímido, banal e solitário professor universitário, escrito de uma forma pungente, triste, emotiva. A sua vida é feita de dissabores, não sabendo lidar com as situações, deixa-se levar pelas circunstâncias, encontra a paixão, o amor, nos livros, nas aulas da faculdade que leciona durante quarenta anos. Uma vida votada ao fracasso, um casamento triste e sem amor, uma mulher e filha frias, o caso amoroso que tivera de abdicar, passa as duas Guerras Mundiais na faculdade, perde um amigo na Primeira Guerra. No entanto, não abdica dos seus valores, do seu amor à literatura e apesar de uma inimizade com o professor seu superior, enfrenta-o, reconquistando as suas aulas, e torna-se uma espécie de lenda.
Muitas vezes não encontro palavras para escrever o quanto um livro me toca, e este é um romance pungente, tão comovedor que, em certas alturas, me fez chorar. Stoner é diferente de todos os heróis literários que conhecemos, é apagado, tristonho, tímido, de ombros curvados, brando, digno, mas ama a literatura, de uma forma tão poderosa que é incapaz de traduzir em palavras esse sentimento nas suas aulas.
'As coisas que ele mais acarinhava eram profundamente traídas, quando falava delas às suas turmas; o que havia de mais viçoso murchava nas suas palavras; e o que mais o comovia tornava-se frio quando proferido pela sua boca. E a consciência desta sua falha afligia-o de tal maneira que a consciência dela se tornou parte da sua pessoa, como a curvatura dos seus ombros.' (p. 104).
O livro abre com o seu obituário, um primeiro longo parágrafo que resume a sua vida, um professor assistente pouco recordado pelos alunos depois de acabarem o curso. Um professor obscuro que dedicou a sua vida a um amor absoluto, aos livros, e, como diz o autor John Williams, numa rara entrevista no final da vida: «Penso que ele é o verdadeiro herói. Muitas pessoas que leram o romance acham que Stoner levou uma vida muito triste e má. Eu julgo que ele teve uma vida ótima. Fez o que gostava de fazer, teve uma certa noção do que fazia e da importância do seu trabalho. (...) O emprego deu-lhe um tipo especial de identidade e fez dele quem ele era [...] é o amor pela coisa que é essencial. E quando amamos uma coisa, compreendemo-la. E se a compreendemos, aprendemos muito. É a falta desse amor que define um mau professor.»
Stoner é um romance perfeito, perfeito na escrita, na história, no herói, um romance resgatado ao esquecimento. Escrito em 1965, há poucos anos foi traduzido para francês e foi a escolha dos leitores da livraria britânica Waterstones como o melhor livro do ano de 2013.
Em 1910, Stoner, filho de agricultores pobres, trabalhava na quinta de familiares enquanto tirava o curso de Agronomia, na Escola Agrária, na Universidade de Columbia. No segundo ano, frequenta a disciplina obrigatória de Literatura Inglesa e apaixona-se pela matéria, ao ponto de mudar de curso e licenciar-se em Letras, quatro anos depois. Morre em 1956, aos sessenta e cinco anos, de cancro.
Stoner é a história de um tímido, banal e solitário professor universitário, escrito de uma forma pungente, triste, emotiva. A sua vida é feita de dissabores, não sabendo lidar com as situações, deixa-se levar pelas circunstâncias, encontra a paixão, o amor, nos livros, nas aulas da faculdade que leciona durante quarenta anos. Uma vida votada ao fracasso, um casamento triste e sem amor, uma mulher e filha frias, o caso amoroso que tivera de abdicar, passa as duas Guerras Mundiais na faculdade, perde um amigo na Primeira Guerra. No entanto, não abdica dos seus valores, do seu amor à literatura e apesar de uma inimizade com o professor seu superior, enfrenta-o, reconquistando as suas aulas, e torna-se uma espécie de lenda.
Muitas vezes não encontro palavras para escrever o quanto um livro me toca, e este é um romance pungente, tão comovedor que, em certas alturas, me fez chorar. Stoner é diferente de todos os heróis literários que conhecemos, é apagado, tristonho, tímido, de ombros curvados, brando, digno, mas ama a literatura, de uma forma tão poderosa que é incapaz de traduzir em palavras esse sentimento nas suas aulas.
'As coisas que ele mais acarinhava eram profundamente traídas, quando falava delas às suas turmas; o que havia de mais viçoso murchava nas suas palavras; e o que mais o comovia tornava-se frio quando proferido pela sua boca. E a consciência desta sua falha afligia-o de tal maneira que a consciência dela se tornou parte da sua pessoa, como a curvatura dos seus ombros.' (p. 104).
O livro abre com o seu obituário, um primeiro longo parágrafo que resume a sua vida, um professor assistente pouco recordado pelos alunos depois de acabarem o curso. Um professor obscuro que dedicou a sua vida a um amor absoluto, aos livros, e, como diz o autor John Williams, numa rara entrevista no final da vida: «Penso que ele é o verdadeiro herói. Muitas pessoas que leram o romance acham que Stoner levou uma vida muito triste e má. Eu julgo que ele teve uma vida ótima. Fez o que gostava de fazer, teve uma certa noção do que fazia e da importância do seu trabalho. (...) O emprego deu-lhe um tipo especial de identidade e fez dele quem ele era [...] é o amor pela coisa que é essencial. E quando amamos uma coisa, compreendemo-la. E se a compreendemos, aprendemos muito. É a falta desse amor que define um mau professor.»
Stoner é um romance perfeito, perfeito na escrita, na história, no herói, um romance resgatado ao esquecimento. Escrito em 1965, há poucos anos foi traduzido para francês e foi a escolha dos leitores da livraria britânica Waterstones como o melhor livro do ano de 2013.
sábado, 27 de setembro de 2014
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Outono
O tempo virara, o Verão passara; o Outono caíra sobre Bly e apagara metade da claridade dos dias. O sítio, com o seu céu cinzento e as grinaldas murchas, os seus espaços desnudos cobertos de folhas mortas, era como um palco depois de um espectáculo - juncado de programas amachucados. - p. 111.
Henry James, A Volta no Parafuso, Relógio D'Água, 2003.
Henry James, A Volta no Parafuso, Relógio D'Água, 2003.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Desafio 'Liebster «animal» Award'
A Raquel, do blogue 'Blue258', lançou um desafio à nossa dona. As regras são colocar as imagens do blogue que nos desafiou, do desafio e responder às questões apresentadas. Também existem outras, como escolher entre 4 a 11 blogues com menos de 200 seguidores e continuar o jogo, mas saltamos esta parte (somos uns batoteiros).
Tivemos que adaptar a imagem do desafio, dado que a nossa dona nos incumbiu desta tarefa.
E aqui estão as nossas respostas. Espero que a dona do Koi, o novo gato da felino-blogosfera goste.
1. Como seria a tua vida sem o blogue?
3. O que diria o teu blogue de ti se pudesse falar?
5. Se pudesses entrar num livro por um dia, qual seria? E porquê?
6. Qual o escritor que adorarias conhecer e porquê?
7. Qual seria o livro, a música, a série e o filme que recomendarias?
8. Quais são as 3 palavras que melhor te definem?
9. Com quem querias estar neste momento e porquê. / 10. Onde querias estar neste preciso momento e porquê.
11. Do que mais te arrependes até hoje.
E pronto! Desafio cumprido. :)
A linda imagem do seu blogue :)
E aqui estão as nossas respostas. Espero que a dona do Koi, o novo gato da felino-blogosfera goste.
1. Como seria a tua vida sem o blogue?
Somos famosos na felino-blogosfera!
2. Já alguma vez pensaste em apagar o blogue' Se sim, porquê?
5. Se pudesses entrar num livro por um dia, qual seria? E porquê?
Porque o Nakata fala connosco.
6. Qual o escritor que adorarias conhecer e porquê?
O Manuel António Pina. Não é óbvio?
7. Qual seria o livro, a música, a série e o filme que recomendarias?
Bichos, de Miguel Torga, Cats Musical, Memory, os desenhos-animados do Top Cat/Manda-Chuva, de Hanna-Barbera e O Grande Peixe, de Tim Burton.
8. Quais são as 3 palavras que melhor te definem?
Livro, gato, escrita.
9. Com quem querias estar neste momento e porquê. / 10. Onde querias estar neste preciso momento e porquê.
11. Do que mais te arrependes até hoje.
E pronto! Desafio cumprido. :)
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