quarta-feira, 13 de maio de 2015

Festa do Cinema

   Nem sei há quanto tempo não coloco os pés numa sala de cinema. Invariavelmente, escolhia dois sítios, o El Corte Inglés e o Monumental, o primeiro às quartas-feiras, no dia do espectador, o segundo, de segunda a quinta-feira até às 20h. Mas, desde que passei a trabalhar mais uma hora, custa-me estar mais umas horas encerrada numa sala, com a desvantagem de morar longe e chegar a casa tarde. E tenho de me levantar muito cedo todos os dias.
   Todavia, hoje é o último dia da Festa do Cinema. É um acontecimento imperdível e, assim, aproveitando a existência de um autocarro (não o do meu serviço, mas partilhamos boleias) que sai daqui às 17h30 e vai até ao Campo Grande, vou aventurar-me pelo Alvaláxia e assistir ao filme 'Ao Som da Vida', às 18h35 (em Lisboa, é o único cinema que o passa. Em Coimbra, também está). Dizem que é bom, é o primeiro filme de William H. Macy. Só vi o trailer e gostei. E aqui o deixo.
   Até mais logo, se nos encontrarmos por lá :)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O lago

   Da minha mesa de trabalho, avisto um lago artificial que faz parte do campo de golfe. Há alguns meses, dois trabalhadores tiraram um pneu enraizado no meio do lago, afastando do seu pedestal, sem se aperceberem, uma solitária, cinzenta e esguia garça-real. Há anos que esse era o seu lugar preferido.
   A garça passou alguns dias a calcorrear sem sentido a erva junto ao lago, caminhando nas suas finas patas, desconsoladamente, até que desapareceu de vez.
   Hoje, ao fim da manhã, dei conta de novos inquilinos, uma família de patos que fazia o ninho na água. Em primeiro lugar, vi o Sr. Pato, que mergulhava na água cinzenta do lago estagnado e regressava à superfície com o seu prémio no bico, poisando-o no montinho de ervas e de paus, que crescia aos poucos.
   Demorei algum tempo a reparar na D. Pata e em três patinhos, que se aproximaram do ninho em construção. A D. Pata subiu para o topo, mas não se sentou. Ajeitou, com gestos vigorosos, baixando e levantando a cabeça, a sua mais recente casa, enquanto o Sr. Pato colocava mais pauzinhos pequenitos junto ao molho. Pouco depois, a D. Pata saltou para a água e um patinho acomodou-se no ninho, os outros dois preferindo continuar na água, alheios à azáfama dos progenitores.
   De onde me encontro, não consigo distinguir bem as suas cores, são pequenos pontos fulgurantes nadando sem parar. Contrastam com a margem artificial do lago; de uma lona que há muito perdeu a cor preta, restam uma estreita faixa cinzenta na parte de cima e uma grossa e pálida mancha, formada pelos restos ressequidos de lama provenientes do lago quando fica cheio.

Uma Mentira Mil Vezes Repetida


   O único adjectivo que me ocorre para classificar este livro é cáustico. Aconselha-se colocar um sorriso zombeteiro no início da leitura e só o retirar na última página, sob risco de levar demasiado a sério a história contada por um narrador sem nome aldrabão e arrogante.
   Um logro, um romance inexistente engendrado por um homem em busca da fama e do reconhecimento, um funcionário público aposentado com uma 'generosa reforma aos trinta e seis anos devido a uma agressiva doença de pele provocada pelo implacável stresse do funcionalismo público', que passeia as mil e duzentas páginas de 'Cidade Conquistada' pelos transportes públicos do Porto, seduzindo os utentes.
   Gostei muito da história megalómana, apesar das partes não politicamente correctas; 4* no Goodreads pela irreverência, criatividade e pelas gargalhadas que me provocou.

sábado, 9 de maio de 2015

Fashion victim

   Ontem, passei o fim da tarde nas compras. Percorri as lojas de roupa do centro comercial perto de casa. Mas o que se passa com a ganga hoje em dia? Será que não há umas calças que não sejam super apertadas, que na altura de despir não tragam um pedaço de pele junto? E que não sejam curtas? Gostei, particularmente, de um modelo com a frase "Estas calças são curtas para mostrar os seus sapatos preferidos." Que roupa atenciosa...
   E os casacos de ganga? E só queria um clássico, não um que me ficasse pelo umbigo e todo esfarrapado. Depois admiram-se que eu compre dois pares de calças iguais, quando gosto do modelo, ou quatro camisolas semelhantes, só variando a cor.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai

   
   É o primeiro livro de GMT que leio. Talvez influenciada pela capa, achei o romance cinzento, algo dorido. Existem narrativas cinzentas?
   Marius encontra Hanna na rua e vão para Berlim à procura do pai da menina. Dormem num hotel sem nome com uma configuração semelhante à posição de campos de concentração num mapa, cujos donos são judeus. Existem sete judeus espalhados pelo mundo que decoraram todos os acontecimentos do século XX; existe um homem com um olho enorme e que desenha trabalhos microscópicos; outro homem que continua uma tradição familiar escrevendo números; outro que cola cartazes com um certo tipo de mensagens e um fotógrafo com um objectivo peculiar.
   Berlim, judeus, memórias, passado, colectivo, uma história estranha que não desgostei. Todavia, de todas as personagens, Hanna, apesar de ter Síndrome de Down, é a mais normal, no meio de tanto desajustamento. E gostei muito do início, de Hanna com a sua caixa com fichas de aprendizagem de pessoas com deficiência mental.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Derek

   Afinal, ele chegou a morrer ontem? Estava eu a comer qualquer coisa antes de ir para a cama e parei o zapping na Anatomia de Grey, num dos canais da cabo. Então, ele, depois de salvar a rapariga que tinha as tripas de fora, mais a mulher com a anca deslocada e o rapaz com não sei o quê, num acidente de viação, leva com um camião em cima? Mas quem o mandou estar no carro, pareceu-me um Porsche, a manusear o telemóvel, no meio da estrada? Enfim...
   Já se sabia que ele iria morrer, foi um spoiler desgraçado que enfureceu os fãs da série. A sério? Há anos que perdeu a piada, pelo menos desde a queda do avião em que morreram uns quantos.
   Não cheguei ao fim do episódio. No intervalo, perto das 11h, desliguei e fui para a cama. Afinal, ele morreu ontem ou tenho que esperar mais uma semana?

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Dia Internacional sem Dieta

   De acordo com a Wikipédia e a Dona-Redonda (obrigada!), hoje comemora-se o Dia Internacional sem Dietas.

      No próximo repasto, passem o prato das batatas fritas para a outra ponta da mesa. :p

terça-feira, 5 de maio de 2015

Felicidade

"A minha mãe sempre me disse que substitutos era coisa que não havia. Tudo é intrinsecamente único e diferente de qualquer outra coisa. Tudo acontece apenas uma vez e a felicidade não se repete."

Hilary Mantel, 'Abatido', Granta Portugal 3 - Casa, 2014.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Dalila

   Fez um ano no mês passado. É pequena, embora a foto engane. Gosta de se deitar no chão e espreguiçar-se e não pára quieta. É um pequeno furacão. :) Parabéns, Dalila.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Todas as Palavras - poesia reunida (1974-2011)

Belíssima colectânea. A morte, os livros, a infância, os lugares, as palavras, a poesia, sem esquecer os seus amados gatos.

***

Theo

Às vezes o gato fitava
com estranheza
o que de nós (um excesso)
se interpunha entre nós e o gato,
a nossa presença.


~~~~

Os livros

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo 'eu' entre nós e nós
?

quinta-feira, 30 de abril de 2015

As Maçãs Douradas

   É notável a criação das personagens e da pequena e fictícia localidade de Morgana, no Mississípi. As sete histórias contam as peripécias das personagens, ao longo de quarenta anos: 'Chuva de Ouro'; 'Recital de Junho'; 'Senhor Coelho'; 'Lago Lua'; 'Todo o Mundo Sabe'; 'Música de Espanha' e 'Os Viandantes'. O livro termina com o posfácio da tradutora (uma excelente tradução, refira-se), essencial à compreensão de cada conto. Um retrato fiel e intenso de uma comunidade do sul dos EUA, onde não faltam as questões políticas e raciais. Assim, entrecruzam-se os universos feminino e masculino, a memória colectiva, a pertença a um lugar, as raízes sulistas, a vida e a morte, numa narrativa intensa e carregada de referências mitológicas (a começar pelo título desta obra).

***

"(...) Nina cismava se seria a lentidão e a quase-imobilidade dos barcos na água que os tornava tão mágicos. Afinal de contas, o barquinho delas entre os juncos naquele dia não estivera longe desta maravilha. A água e o céu, a Lua ou o Sol giravam sempre, e entre eles havia esta indecisão mágica, a de um barco. E mais do que um barco à deriva pelo mundo, era o mundo que, ao dar pelo barco, ficava à deriva, esquecido. A coisa sonhada trocava de lugar com o sonhador." - 4. Lago Lua, p. 157.

~~~~

"Entretanto, como se dispensassem o apoio das pernas, as cabeças dos dois homens continuavam a voltar-se calmamente para o largo, espraiando os olhos pela paisagem. Porém, como se escarnecesse também dessa postura, certa vez o hispânico, pondo os cotovelos para fora, uniu as mãos no topo da cabeça para segurar o chapéu. Era a pose proeminente de uma mulher, um «nu reclinado»." - 6. Música de Espanha, p. 247.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Prémio Cigno para melhor blogue LGBT Friendly

   Obrigada! Agradeço, particularmente, ao Mark, pelas simpáticas palavras. :)
   Confesso que não segui a Gala Cignos 2015; bem, em abono da verdade, se nem presto atenção ao nosso Festival da Canção e à Eurovisão... Não conheço as canções concorrentes deste ano, não obstante os inúmeros posts do Francisco ;)
   Por outro lado, tenho apenas um tablet, pelo que o acesso à internet, e mais especificamente à blogosfera, está bastante condicionado. Para comentar e para escrever um pequeno texto, demoro muito tempo e tenho receio de cometer um erro. Diacho, até classifiquei um livro em holandês com 1* no Goodreads e nem dei por isso, não fosse o João Máximo alertar-me para tal :P
   Resumindo, este prémio é vosso, por me terem escolhido, por permanecerem leitores fiéis deste pequeno espaço e peço desculpas por não comentar mais amiúde os vossos textos, mas não deixo de os ler. Os comentários é que podem demorar mais um bocadinho a surgir :)