'O Memorial, Retrato de uma Família', foi publicado em 1932 e editado em Portugal em 1990 pelas Edições do Brasil. Uma edição cheia de falhas, a começar por uma tradução com alguns erros e terminado numa revisão péssima.
Christopher Isherwood ainda não tinha 30 anos quando escreveu este seu segundo romance, tendo aproveitado já a sua experiência de vida em Berlim para a incluir na personagem Edward.
Aqui se caracteriza uma época, neste caso a Inglaterra dos anos 1920, salientando-se a complexidade das personagens: a romântica viúva Lily, agarrada ao passado, cujo marido Richard morreu na Primeira Guerra Mundial, o filho Eric, a cunhada Mary, de passado sombrio, e os seus dois filhos, Maurice e Anne, e o amigo de Richard, Edward Blake, rico, homossexual, que sobreviveu à guerra e que vive, nos últimos tempos, em Berlim com um jovem.
Não é um romance de fácil leitura. Pelo contrário. As páginas iniciais são um pouco confusas, dificultadas pela má revisão, e a acção só se conclui quase no fim do livro, após o regresso a esse momento (a história volta ao passado, de 1928 para 1920, 1925 e, por fim, 1929).
E, sensivelmente a meio do livro, a escrita torna-se extraordinária, no capítulo dedicado a Eric, então ainda um jovem adolescente, com um fascínio pela família da sua tia e primos, os Scrivens, tão diferentes da sua mãe e da Mansão onde vivem com o avô, o fidalgo.
Apesar dos entraves, é uma grande história e mereceu 4* no Goodreads. Se eu fosse dona de uma editora, agarraria neste livro, faria uma nova tradução e uma revisão primorosa e daria a este romance o tratamento merecido.











