sábado, 5 de março de 2016
Estou a amolecer com a idade
Esta semana, abri a porta ao vendedor da cabovisão e ao da meo. Esta manhã, aceitei um folheto de uma testemunha de jeová.
quinta-feira, 3 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
domingo, 28 de fevereiro de 2016
En el ultimo trago
Nada me han enseñado los años
siempre caigo en los mismos errores
otra vez a brindar con extraños
y a llorar por los mismos dolores
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Os Navios da Noite II
Nada me dá mais prazer do que oferecer um livro, principalmente um de que gostei muito. Foi o que aconteceu quando oferecei este livro hoje, ao almoço, mais de um mês depois de a Lídia fazer anos.
Comprei-o em formato de ebook mal ficou disponível (é apresentado amanhã ao fim da tarde nas Correntes D'Escritas).
Dezoito contos fazem parte desta publicação, narrados, na maioria, na primeira pessoa. Tortura, morte, desilusão, perda, uma tristeza imensa numa e noutra história, críticas à sociedade, à política perpassam por muitos deles (tão actuais que são essas histórias!). Não faltam, também, um pedaço de loucura, hipocondria e umas pitadas de ironia.
A linguagem, apurada, e, embora algum final seja previsível, todas as histórias prenderam-me e emocionaram-me.
Dois dos contos, por todas as razões, são os meus preferidos: "A minha mãe e eu" e "A ideia do meu pai".
...'Pressinto-a nos passos de ninguém que às vezes ouço no corredor, quando estou sozinho em casa. As portas abrem-se por si, sempre que ela passa de um lado para o outro, indo do seu antigo quarto para a sala ou para a cozinha. (...) O meu pensamento comunica permanentemente com o dela. É a pensar que a vejo e ouço em mim e ao redor. O riso dobrado e cristalino como o das crianças. A suavidade dos seus dedos. A força anímica dos olhos postos em mim, quando aqui entro em estado de desânimo. (...) Não me sinto vigiado nem protegido. Trata-se tão-só da sua presença paralela à minha vida. Uma coisa é proteger, outra, muito distinta, é estar ela em mim tal e qual se encontre o meu estado de espírito. A minha solidão nos seus olhos solitários e condoídos. Ela a tentar espreitar-me quando me escondo na casa de banho e tranco a porta por dentro: sento-me no bordo da banheira e choro. Triste. Eu aflito da vida, sem a mínima ideia para a solução dos meus problemas, e ela a vir por trás, a pôr-me uma mão no ombro; essa mão a transmitir-me conforto e confiança na minha capacidade de resolver o assunto e ultrapassar o sofrimento. (...)
...Eu, por mim, quero-a sempre presente e ausente na minha vida, aqui em casa ou na rua. Senti-la por perto, esteja acordado ou rendido à paz merecida do meu sono. Saber que alguém está comigo, em mim, aqui e em qualquer parte, nos momentos delicados e difíceis da vida, nos meus breves sonhos - uma mãe tão leve como a asa de um passarinho embalado pela brisa alta da manhã.'
...'Quem nunca na vida se sentou num colo paterno, não conhece o misto de desgraça, espanto e euforia de um filho que sente nunca ter tido nos seus braços nada de tão concreto como um pai morto.(...)
Eu vergo-me ao peso daquele corpo rochoso (...) Trata-se da morte única e numerosa de um homem, do seu passado múltiplo. Com ele haviam morrido a terra, a casa, a família e todos os homens da aldeia. Há um excesso de peso e de morte neste corpo que ameaça esmagar-me e matar-me também. (...) Mas é a terra que exerce sobre ele uma força de gravidade sem limites, uma atracção não só telúrica, mas magnética, cósmica, creio que divina. Pois a terra fora a alma, os sentidos, a explicação da vida do meu pai.(...)
...A minha dor do meu pai não pode ser vista nem escutada. (...) Nenhum deles sabe onde mora a dor de um filho na morte do pai e do seu mundo.'
domingo, 21 de fevereiro de 2016
NPR; Carrie Rodriguez: 'Lola'
Foi através deste post no 'sound + vision', que fui até à National Public Radio.
Andei pela NPR e caí neste álbum, 'Lola', de Carrie Rodriguez, que saiu anteontem. Claro que está em reprodução constante desde que o descobri.
O álbum pode ser escutado na totalidade. Aconselho a leitura dos 'Termos de utilização' da NPR.
Andei pela NPR e caí neste álbum, 'Lola', de Carrie Rodriguez, que saiu anteontem. Claro que está em reprodução constante desde que o descobri.
O álbum pode ser escutado na totalidade. Aconselho a leitura dos 'Termos de utilização' da NPR.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Felicidade
No dia do meu aniversário, o Limite enviou-me um email muito simpático. Como estava a publicar os micro-contos, não interrompi a série. Assim, ficaram por publicar vários assuntos, como o meu dia de anos (em Outubro), a mudança de trabalho (finalmente para Lisboa, em Novembro) e o quarto aniversário do blogue (em Janeiro).
Fica aqui a imagem que o Limite anexou na sua mensagem e uma foto de agradecimento da Dalila tirada esta manhã,
Fica aqui a imagem que o Limite anexou na sua mensagem e uma foto de agradecimento da Dalila tirada esta manhã,
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
En attendant Bojangles
A propósito deste livro, que é um sucesso em França e que irá ser traduzido pela Guerra & Paz lá para Maio (notícia aqui), coloquei o sinalizador «para ler» no Goodreads e recomendei o livro ao Miguel. Não ficando atrás, o João também o sinalizou.
Eu prefiro o "Mr Bojangles" da Nina Simone, mas a versão da Nitty Gritty Dirt Band também não é má.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Os Navios da Noite
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.
Álvaro de Campos
Em Os Navios da Noite, de João de Melo, no Kobo.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
O conto da Redonda (e o meu conto)
Ainda vou a tempo?
- Estamos fechados – ele disse, de sobrolho franzido, olhando-a sobre os óculos meia-lua, enquanto alinhava as folhas sobre o balcão.
Ainda assim, ela aproximou-se e poisou uma folha dobrada junto dele.
- Ainda vou a tempo? – perguntou, ofegante. – O concurso das histórias da livraria.
- Terminou há cinco minutos. – ele apontou para o relógio sobre a porta.
- Sete e cinco… – ela murmurou, olhando por cima do ombro. – Oh! – voltou a olhá-lo. Ele baixara a cabeça para o maço de folhas. – Não pude sair mais cedo, eu… vim a correr, mas…
- Não há excepções. – ele cortou. Por fim, ergueu a cabeça e mirou-a, carrancudo – Quantos anos tens?
- Quase onze. – ela respondeu.
- Quase?
- Amanhã é o meu aniversário. A minha mãe diz que eu nasci na hora das fadas. – ela sorriu.
Ele observou-a atentamente. A menina empoleirava-se no balcão e o cabelo, atado num rabo-de-cavalo, estava meio solto e o rosto, vermelho da corrida.
- Sim, na hora das fadas, quando o sol do meio-dia brilha no lago ao pé da nossa casa – ela esclareceu. A mão suada continuava poisada sobre a folha dobrada.
O livreiro pigarreou, desdobrou-a e colocou-a em cima das outras.
- Aquele relógio está atrasado. Tenho de mudar a pilha – declarou, sem sorrir. – Agora, vai-te embora.
Ela acenou com a cabeça, agradeceu e saiu da livraria. Virou à direita, segurando as lágrimas, em direcção ao grande edifício amarelo no fundo da rua, de onde viera a correr minutos antes.
Ele espreitou pela janela e viu-a ao longe. Fechou a porta, agarrou nas folhas e entrou na sala dos fundos. Afastou duas pilhas de livros da mesa e sentou-se, puxando o pequeno candeeiro para o canto da mesa. Inclinou-se, com o lápis na mão, mas poisou-o quando começou a ler:
“O sol brilha na parede branca ao lado da cama. Depois, desce devagarinho até à almofada e toca na sua face. Vejo-a a dormir, a respirar muito devagar. Eu aperto-lhe a mão. Está fria. Esfrego-a durante muito tempo, levanto-a e brinco com os seus dedos, como ela costuma brincar com os meus. Ajoelho-me e aproximo-me dela e tento tapar a minha cara com a sua mão e espreitar, por entre os dedos, o sol que enche o quarto de luz. O quarto está tão brilhante como o lago junto à nossa casa.
A minha mãe disse-me que o lago está cheio de fadas que estão sempre a dançar sobre a água. No meu aniversário, elas juntam-se à minha espera, na margem. Eu aproximo-me, sento-me ao pé delas e vejo as suas pequeninas asas transparentes a cintilar ao sol. Mergulho os pés na água e a minha mãe ajoelha-se atrás de mim e abraça-me. Juntas, ficamos a ouvir uma canção que só nós as duas entendemos.
Começo a cantar baixinho, apertando a mão da minha mãe. Então, ela abre devagar os olhos e sorri para mim. Não consegue falar, mas eu sei que está a cantar comigo a canção das fadas.”
- Estamos fechados – ele disse, de sobrolho franzido, olhando-a sobre os óculos meia-lua, enquanto alinhava as folhas sobre o balcão.
Ainda assim, ela aproximou-se e poisou uma folha dobrada junto dele.
- Ainda vou a tempo? – perguntou, ofegante. – O concurso das histórias da livraria.
- Terminou há cinco minutos. – ele apontou para o relógio sobre a porta.
- Sete e cinco… – ela murmurou, olhando por cima do ombro. – Oh! – voltou a olhá-lo. Ele baixara a cabeça para o maço de folhas. – Não pude sair mais cedo, eu… vim a correr, mas…
- Não há excepções. – ele cortou. Por fim, ergueu a cabeça e mirou-a, carrancudo – Quantos anos tens?
- Quase onze. – ela respondeu.
- Quase?
- Amanhã é o meu aniversário. A minha mãe diz que eu nasci na hora das fadas. – ela sorriu.
Ele observou-a atentamente. A menina empoleirava-se no balcão e o cabelo, atado num rabo-de-cavalo, estava meio solto e o rosto, vermelho da corrida.
- Sim, na hora das fadas, quando o sol do meio-dia brilha no lago ao pé da nossa casa – ela esclareceu. A mão suada continuava poisada sobre a folha dobrada.
O livreiro pigarreou, desdobrou-a e colocou-a em cima das outras.
- Aquele relógio está atrasado. Tenho de mudar a pilha – declarou, sem sorrir. – Agora, vai-te embora.
Ela acenou com a cabeça, agradeceu e saiu da livraria. Virou à direita, segurando as lágrimas, em direcção ao grande edifício amarelo no fundo da rua, de onde viera a correr minutos antes.
Ele espreitou pela janela e viu-a ao longe. Fechou a porta, agarrou nas folhas e entrou na sala dos fundos. Afastou duas pilhas de livros da mesa e sentou-se, puxando o pequeno candeeiro para o canto da mesa. Inclinou-se, com o lápis na mão, mas poisou-o quando começou a ler:
“O sol brilha na parede branca ao lado da cama. Depois, desce devagarinho até à almofada e toca na sua face. Vejo-a a dormir, a respirar muito devagar. Eu aperto-lhe a mão. Está fria. Esfrego-a durante muito tempo, levanto-a e brinco com os seus dedos, como ela costuma brincar com os meus. Ajoelho-me e aproximo-me dela e tento tapar a minha cara com a sua mão e espreitar, por entre os dedos, o sol que enche o quarto de luz. O quarto está tão brilhante como o lago junto à nossa casa.
A minha mãe disse-me que o lago está cheio de fadas que estão sempre a dançar sobre a água. No meu aniversário, elas juntam-se à minha espera, na margem. Eu aproximo-me, sento-me ao pé delas e vejo as suas pequeninas asas transparentes a cintilar ao sol. Mergulho os pés na água e a minha mãe ajoelha-se atrás de mim e abraça-me. Juntas, ficamos a ouvir uma canção que só nós as duas entendemos.
Começo a cantar baixinho, apertando a mão da minha mãe. Então, ela abre devagar os olhos e sorri para mim. Não consegue falar, mas eu sei que está a cantar comigo a canção das fadas.”
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
O conto do Pai do No Limite do Oceano
Vida, solidão, esperança, legado, morte
Quando eu tinha um pouco mais de trinta anos, avistei-a muitas vezes à hora do almoço. Ela tinha umas pernas elegantes que terminavam nuns tornozelos finos, em contraste com o corpo curvilíneo e as ancas largas, a saia caindo um pouco abaixo do joelho.
Eu virava a esquina e a via-a a subir a calçada, parar no cimo, tirar a chave da mala e entrar num prédio. Caminhava uns bons metros atrás dela e nunca consegui ver o seu rosto, apenas um vislumbre da face e do nariz parcialmente escondido pelo cabelo castanho a tocar os ombros, antes de abrir a porta e desaparecer.
Ao longo dos anos, nos meus solitários passeios, procurava-a olhando para as pernas das mulheres na rua. Outras vezes, imaginava que estaria a ver a mesma peça de teatro que eu, separados apenas por duas filas de distância, ou sonhava que chocávamos nas escadas do metropolitano.
Vinte e cinco anos depois, encontrei-a na fila da bilheteira da estação do comboio que utilizava todos os dias da semana. Esperei que ela se virasse, enquanto observava as pernas graciosas, que tão bem recordava, embora o corpo tivesse alargado e o cabelo embranquecido.
Abordei-a, mencionando a rua onde eu ainda trabalhava. Ela sorriu, acenando com a cabeça. Esperou que eu comprasse um bilhete e entrámos na mesma carruagem. Vi o meu comboio partir na direcção contrária e apertei-lhe a mão.
Cinco anos depois, abatido, desço no mesmo cais. No anelar esquerdo, tenho duas alianças.
Quando eu tinha um pouco mais de trinta anos, avistei-a muitas vezes à hora do almoço. Ela tinha umas pernas elegantes que terminavam nuns tornozelos finos, em contraste com o corpo curvilíneo e as ancas largas, a saia caindo um pouco abaixo do joelho.
Eu virava a esquina e a via-a a subir a calçada, parar no cimo, tirar a chave da mala e entrar num prédio. Caminhava uns bons metros atrás dela e nunca consegui ver o seu rosto, apenas um vislumbre da face e do nariz parcialmente escondido pelo cabelo castanho a tocar os ombros, antes de abrir a porta e desaparecer.
Ao longo dos anos, nos meus solitários passeios, procurava-a olhando para as pernas das mulheres na rua. Outras vezes, imaginava que estaria a ver a mesma peça de teatro que eu, separados apenas por duas filas de distância, ou sonhava que chocávamos nas escadas do metropolitano.
Vinte e cinco anos depois, encontrei-a na fila da bilheteira da estação do comboio que utilizava todos os dias da semana. Esperei que ela se virasse, enquanto observava as pernas graciosas, que tão bem recordava, embora o corpo tivesse alargado e o cabelo embranquecido.
Abordei-a, mencionando a rua onde eu ainda trabalhava. Ela sorriu, acenando com a cabeça. Esperou que eu comprasse um bilhete e entrámos na mesma carruagem. Vi o meu comboio partir na direcção contrária e apertei-lhe a mão.
Cinco anos depois, abatido, desço no mesmo cais. No anelar esquerdo, tenho duas alianças.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
O conto do Neko-chan
Porque nunca lá fui, embora...
Tenho um saco de plástico na mão esquerda e giro-o, como se se tratasse de um acrobata que, suspenso de cabeça para baixo por uma faixa de pano, rodopia sem parar. Minutos antes, passara por uma mercearia ao pé de casa. Com o indicador e o polegar, faço rodar a asa à volta do dedo médio, cada vez mais apertado; anseio pelo formigueiro que perdura muito tempo depois de soltar a asa.
Estaco diante de uma estranha porta velha, ao lado do meu prédio. Com curiosidade, abro-a e começo a subir uma escada em caracol, amparando-me a um ferrugento e periclitante corrimão. Cortando o silêncio dilatado pela escuridão, os degraus rangem. Olho para cima e vejo uma ténue claridade que penetra por uma pequena janela rectangular. Não conheço a casa, mas continuo a subir até chegar ao fim das escadas. O dedo lateja de tão apertado. Desenrolo a asa e deixo cair o saco das compras no degrau. Chego a um patamar, segurando-me ao corrimão, mas ele cede subitamente.
Grito e acordo. O meu coração bate desenfreadamente. Viro a cabeça, olho a janela aberta, o cortinado a esvoaçar para dentro do quarto, e fixo o tecto branco. A tremer, puxo os cobertores até ao queixo. Nada é real, sei que nunca aconteceu, porque nunca lá fui, embora conheça a rua onde moro como a palma da minha mão.
Levanto-me e, devagar, caminho até à porta. Abro-a, dou um passo em frente e mergulho no vazio.
Tenho um saco de plástico na mão esquerda e giro-o, como se se tratasse de um acrobata que, suspenso de cabeça para baixo por uma faixa de pano, rodopia sem parar. Minutos antes, passara por uma mercearia ao pé de casa. Com o indicador e o polegar, faço rodar a asa à volta do dedo médio, cada vez mais apertado; anseio pelo formigueiro que perdura muito tempo depois de soltar a asa.
Estaco diante de uma estranha porta velha, ao lado do meu prédio. Com curiosidade, abro-a e começo a subir uma escada em caracol, amparando-me a um ferrugento e periclitante corrimão. Cortando o silêncio dilatado pela escuridão, os degraus rangem. Olho para cima e vejo uma ténue claridade que penetra por uma pequena janela rectangular. Não conheço a casa, mas continuo a subir até chegar ao fim das escadas. O dedo lateja de tão apertado. Desenrolo a asa e deixo cair o saco das compras no degrau. Chego a um patamar, segurando-me ao corrimão, mas ele cede subitamente.
Grito e acordo. O meu coração bate desenfreadamente. Viro a cabeça, olho a janela aberta, o cortinado a esvoaçar para dentro do quarto, e fixo o tecto branco. A tremer, puxo os cobertores até ao queixo. Nada é real, sei que nunca aconteceu, porque nunca lá fui, embora conheça a rua onde moro como a palma da minha mão.
Levanto-me e, devagar, caminho até à porta. Abro-a, dou um passo em frente e mergulho no vazio.
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